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2026 E O DECLÍNIO DO MULTILATERALISMO: CONFLITOS, PODER E INSTABILIDADE GLOBAL

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Prof Israel Aparecido Gonçalves

O chamado multilateralismo nas relações internacionais está em decadência, e o que prevalece é a força militar e a persuasão econômica. O multilateralismo começa a ganhar uma estrutura de fato após a Segunda Guerra Mundial (1939–1945), quando instituições como a ONU (Organização das Nações Unidas), a OEA (Organização dos Estados Americanos) e a OMC (Organização Mundial do Comércio) foram criadas e passaram, de forma conjunta entre os países, a estabelecer regras internacionais para a política, a guerra, os direitos humanos, o comércio, a migração, entre outras questões importantes.

Os Estados Unidos não cumprem, de fato, todas as regras internacionais. Um exemplo foi a Guerra do Iraque, na qual o presidente George W. Bush invadiu o país em 2003 de forma unilateral, em busca das supostas Armas de Destruição em Massa (ADM) e, depois de 20 anos, teve de retirar suas tropas. O exemplo mais recente do descaso com as regras internacionais é a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022.

As tensões para 2026 estão localizadas geopoliticamente na guerra entre Rússia e Ucrânia, pois não há um desfecho que agrade a nenhum dos dois países envolvidos. A Ucrânia não quer ceder território, e a Rússia está disposta a pagar o preço de uma guerra longa contra seu vizinho.

O governo sionista de Israel, depois de atacar de forma ilegal e desproporcional a Síria, o Líbano, o Irã e os territórios palestinos da Faixa de Gaza e da Cisjordânia, ainda representa uma ameaça à instabilidade da região. É fato que os ataques de Israel mataram milhares de civis, mas também desmobilizaram guerrilhas como o Hamas, o Hezbollah e a Jihad Islâmica Palestina, modificando as relações de poder no Oriente Médio.

No continente africano, as guerras no Sudão, em partes da Nigéria, e a instabilidade na Líbia são questões que devem ganhar destaque em 2026, com poucas chances de mudança de perspectiva. A África continua sendo um território neocolonizado, no qual disputas políticas na Europa e na Ásia se manifestam sob a forma de guerras em países africanos.

A China ameaça constantemente a ilha de Taiwan, país independente para praticamente todo o mundo, exceto para os chineses, que alegam que a ilha é uma comunidade rebelde que deve aceitar as diretrizes de Pequim. Nos últimos anos, as relações entre os dois lados vêm se deteriorando, e os acordos firmados em 1992 estão cada vez mais distantes ou até esquecidos pelo governo chinês.

A gestão de Donald Trump (segundo mandato), em 2025, focou no chamado “tarifaço”, ao taxar vários países de forma desproporcional. Com o fracasso dessa política, a força militar tornou-se o mote da ação do governo Trump. Ao invadir a Venezuela em 3 de janeiro deste ano e ameaçar a Colômbia e o México, o governo norte-americano gerou tensões e desconfianças entre as nações. Além disso, Trump já ameaçou o Canadá e insiste em anexar a Groenlândia, que pertence ao Reino da Dinamarca, país membro da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte).

Trump, com o tarifaço, ajudou de forma objetiva a pôr fim ao cenário multipolar do mundo, e suas ações contra a Venezuela, somadas às ameaças a outros países, podem lançar o planeta em uma situação semelhante à vivida na Idade Média, quando todos os vizinhos temiam uns aos outros. O ano de 2026 deve ser decisivo para definir se o mundo caminhará para a construção de uma ordem global liberal ou se guerras e discursos de ódio se tornarão o novo — e velho — normal.

 

Israel Aparecido Gonçalves Israel Aparecido Gonçalves é cientista político e escreve sobre Relações Internacionais, Conflitos e Direitos Humanos. Seu livro mais recente é “Sociologia e Direito – Volume 3”, lançado pela Editora Periodicojs em 2025. @sou.profisrael

 

 

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