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Coluna: Mulher Real em Foco: Onde Começa a Violência? A Educação como Única Rota de Fuga

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Dra.Simone de Cássia Portela Barbosa,

Onde começa a violência? Não é no golpe físico, mas no primeiro “não” ignorado e no controle disfarçado de cuidado; ela surge devagar e de maneira quase imperceptível. Na coluna desta semana, mergulhamos na ideia de que a educação é a única rota de fuga definitiva. Os meninos precisam ser educados para o respeito; as meninas, para a autonomia.

“Qual é o seu limite? Decida nunca deixar ninguém ultrapassá-lo.”

Na última semana, discutimos a ferida aberta do feminicídio que assombra Limeira e o Brasil. Hoje, precisamos dar um passo atrás e observar onde tudo começa: na educação. Não apenas na escola, mas dentro de casa e nas entrelinhas da nossa cultura. O feminicídio é o ponto final, mas o parágrafo da violência começa muito antes. Ele começa quando um menino cresce ouvindo que o “não” de uma mulher é apenas um “charme”, ou quando aprende que sua masculinidade está atrelada ao controle sobre o corpo e às escolhas alheias.

Em pleno 2026, ainda falhamos em ensinar aos homens o conceito mais básico de civilidade:  a autonomia da mulher é inegociável. Educar homens para o respeito não é um favor às mulheres; é uma obrigação civilizatória. A educação não é apenas para o agressor e a agredida, mas também para quem assiste. Muitas vezes, o homem respeitador educa o filho, mas se silencia no grupo de WhatsApp ou no bar quando um amigo demonstra comportamento possessivo. A educação deve ensinar os homens a romper o pacto de silêncio. “Educar para o respeito” inclui não ser cúmplice do desrespeito alheio.

A educação em nosso tempo precisa abordar o ambiente virtual. O controle não começa mais apenas “em casa”, mas na exigência da senha das redes sociais, na perseguição por geolocalização ou no compartilhamento de fotos íntimas sem consentimento (pornografia de vingança). A autonomia da mulher também pertence ao espaço digital. Educar para o respeito é entender que o celular dela não é uma extensão do controle do parceiro.

Precisamos de uma educação que discuta abertamente a condição feminina, que desconstrua a ideia de posse e ensine que o fim de um relacionamento não é um atentado à honra masculina, mas um fato da vida. O respeito às escolhas feitas por elas — seja a de ir, ficar, trabalhar ou vestir o que bem entenderem — deve ser o pilar da formação de qualquer cidadão.

Por outro lado, a “Mulher Real” precisa ser fortalecida para não aceitar o primeiro degrau do desrespeito. A violência raramente começa com um soco; ela se manifesta primeiro em um grito, em uma humilhação disfarçada de piada, no controle do celular ou no isolamento das amizades. Impedir o primeiro desrespeito é um ato de autodefesa. Precisamos de uma geração de mulheres que identifique os sinais e tenha suporte para dizer: “Daqui você não passa”. Para isso, a educação deve oferecer ferramentas psicológicas para que essa mulher não se sinta culpada ao impor limites.

Muitas mulheres não conseguem impor esses limites porque a educação que receberam não as preparou para a autonomia psicológica nem financeira. O medo de não ter como sustentar os filhos ou a si mesma é a grade que mantém muitas mulheres no ciclo da violência. A educação para mulheres deve incluir a liberdade econômica. Uma mulher com dinheiro próprio e conhecimento de seus direitos tem muito mais poder de decisão. Em outras palavras: para as mulheres, a educação deve ser também um passaporte para a independência financeira. Afinal, a liberdade de escolha floresce com muito mais força quando a mulher é dona, além de sua vontade, de seu próprio sustento.

A mudança que tanto cobramos das leis e da política só será plena quando a educação transformar a mentalidade. Se você é pai ou mãe, eu lhe pergunto: como você está educando seu filho para tratar as mulheres? Como você está educando sua filha para que ela entenda que o limite que ela decidiu nunca pode ser ultrapassado? Como você está orientando sua filha para a autonomia financeira?

O foco agora é refletir e agir para prevenir, para não termos que remediar — ou lamentar mais um homem preso pelo seu descontrole e mais uma mulher assassinada aumentando as estatísticas. Nenhuma família quer essa história para si. É preciso que a sociedade interceda. Educação é poder, e o respeito é o único caminho para que a “Mulher Real” possa, finalmente, focar apenas em viver.

Denuncie, eduque e proteja. O desrespeito não pode ter vez.

 Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Limeira: Atendimento especializado para registro de ocorrências e pedidos de medida protetiva.

    • 📍 Endereço: Rua Dr. José Botelho Veloso, 550 – Jardim Santa Eulália.
    • 📞 Telefone: (19) 3442-2000.
  • Rede de Atendimento (CREAS): Suporte psicológico e social para mulheres em situação de vulnerabilidade.
    • 📞 Telefone: (19) 3444-8401.
  • Central de Atendimento à Mulher: Ligue 180 (Gratuito e anônimo – disponível 24h).
  • Emergências: Ligue 190 (Polícia Militar).

#MulherRealEmFoco #Limeira #FeminicidioZero #EducaçãoLiberta#Respeito#Proteção

 

 

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