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Escala 6×1 para o povo, 3×1 para a Câmara Mortífera.

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Fernando Garayo-Jornalista- ambientalista- Pós Graduando em Ciências Politícas

Enquanto o trabalhador brasileiro acorda de madrugada, enfrenta ônibus lotado, salário curto e a esperança cada vez mais longa de que quem sabe um dia o Congresso vote o fim da escala 6×1, a Câmara dos Deputados resolveu mostrar qual é, de fato, sua prioridade. A toque de caixa, sem debate público e longe dos holofotes, aprovou um sistema de trabalho digno de país nórdico — mas só para dentro de casa.

Na chamada “Câmara Mortífera”, sob a batuta do presidente Hugo Motta, servidores comissionados passaram a ter direito à escala 3×1: trabalha-se três dias, folga-se um. Um privilégio que não vale para professores, enfermeiros, comerciários, vigilantes, entregadores ou operários. Vale apenas para quem já ocupa cargos de confiança, indicados politicamente, bem remunerados e protegidos por um sistema que jamais experimentou o chão de fábrica ou o balcão do comércio.

E a cereja do bolo vem logo depois. O servidor comissionado pode abrir mão da folga e converter o descanso em dinheiro. Resultado? Remunerações que podem chegar a R$ 77 mil por mês. Setenta e sete mil. Para não descansar.

A pergunta é inevitável: quem paga essa conta?
Resposta simples e cruel: o mesmo trabalhador da escala 6×1, que não tem direito a folga digna, que adoece que morre mais cedo e que sustenta o Estado com impostos embutidos em tudo o que consome.

O Congresso que diz não haver “clima fiscal” para reduzir a jornada do povo, que trata o fim da 6×1 como utopia irresponsável, encontrou rapidez e consenso quando o benefício era corporativo. Não houve crise, não houve teto de gastos, não houve prudência. Houve pressa. Houve acordo. Houve privilégio.

Essa decisão escancara o abismo moral entre representantes e representados. Para o povo, o discurso da produtividade, do sacrifício e da austeridade. Para eles, descanso premiado ou dinheiro extra. Para o trabalhador comum, a exaustão. Para a elite do poder, o conforto institucionalizado.

Diante dessa aberração, cabe ao presidente Lula vetar essa medida. O veto não é apenas um gesto administrativo — é um posicionamento político e moral. Vetar é dizer que o Estado não pode ser um clube fechado de privilégios enquanto milhões trabalham até a exaustão. Vetar é reafirmar que governar é escolher o lado do povo, não o lado das castas do poder.

Mas o veto, sozinho, não basta. O povo precisa ir às ruas em apoio ao presidente, pressionando o Congresso e deixando claro que o Brasil não aceita mais essa lógica perversa: direitos para poucos, sacrifício para muitos. A história mostra que avanços sociais nunca vieram de concessões espontâneas do poder, mas da mobilização popular organizada.

No Brasil de hoje, o recado precisa ser invertido:
— descanso digno não é privilégio;
— trabalhar até adoecer não é virtude;
— justiça social não é radicalismo.

Enquanto a Câmara Mortífera se protege, o trabalhador segue esperando. Mas esperar sentado já não basta. É hora de cobrar, vetar e ocupar as ruas.

Nossa Câmara dos Deputados se transformou numa Câmara Mortífera, onde sacrifica o cidadão brasileiro para ter poder e privilégios.

 

 

 

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