Reportagem: Fernando Garayo

Em audiência pública na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados, o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, afirmou que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva apoia a redução da jornada semanal de trabalho para 40 horas e o debate sobre o fim da escala 6×1 — modelo em que o trabalhador atua seis dias consecutivos e descansa apenas um.
Segundo o ministro, a mudança pode trazer benefícios não apenas para os trabalhadores, mas também para a economia brasileira. A declaração ocorreu durante discussão sobre propostas que buscam atualizar as regras trabalhistas previstas na Constituição Federal de 1988, que atualmente estabelece a jornada máxima de 44 horas semanais.
Debate no Congresso
Durante a audiência, Marinho argumentou que a redução da jornada acompanha uma tendência internacional e pode contribuir para melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores, além de estimular a produtividade.
“Quando o trabalhador tem mais tempo para viver, descansar e conviver com a família, ele produz melhor. A economia também se beneficia disso”, afirmou o ministro aos parlamentares.
A discussão ocorre em meio à análise de propostas legislativas que pretendem alterar o regime de trabalho no país. Uma das ideias em debate é reduzir a jornada máxima semanal para 40 horas sem redução salarial e limitar modelos de escala considerados mais exaustivos, como o 6×1.
Impactos econômicos
Para o Ministério do Trabalho, a mudança pode gerar efeitos positivos no mercado interno, uma vez que trabalhadores com mais tempo livre tendem a consumir mais bens e serviços, movimentando a economia.
Marinho também defendeu que a redução da jornada deve ocorrer por meio de diálogo entre governo, trabalhadores e setor empresarial. Segundo ele, a transição precisa considerar as particularidades de cada setor produtivo.
Especialistas ouvidos durante o debate destacaram que vários países já adotaram jornadas menores do que às 44 horas brasileiras. Em nações da Europa, por exemplo, a média semanal varia entre 35 e 40 horas.
Resistência de setores empresariais
Entidades empresariais, no entanto, demonstram preocupação com os custos da medida. Representantes do setor produtivo afirmam que a redução da jornada sem ajustes na estrutura das empresas poderia aumentar despesas com contratação ou pagamento de horas extras.
Apesar das divergências, o governo sinaliza que pretende ampliar o debate no Congresso. O tema também envolve discussões sobre qualidade de vida no trabalho, produtividade e novas formas de organização laboral em um cenário de mudanças tecnológicas.
Próximos passos
A proposta ainda precisa avançar nas comissões da Câmara antes de chegar ao plenário. Caso aprovada, a alteração exigiria mudança constitucional para redefinir o limite da jornada semanal no Brasil.
O governo defende que o debate seja feito de forma gradual e negociada, com o objetivo de modernizar as relações de trabalho e equilibrar crescimento econômico com melhores condições para os trabalhadores.
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