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Quando o racismo vira método político

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Fernando Garayo- Jornalista- Ambientalista- Pós Graduando em Ciências Politícas

A publicação de uma imagem montada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, retratando o ex-presidente Barack Obama, a ex-primeira-dama Michelle Obama e o casal com um “filho macaco” não é apenas uma provocação de mau gosto. É um ato político grave, carregado de simbolismo racista, que ultrapassa os limites da liberdade de expressão e expõe, mais uma vez, a estratégia de normalização do ódio como ferramenta de mobilização política.

Comparar pessoas negras a macacos não é uma “piada”, não é “sátira” e tampouco um “exagero interpretativo”. Trata-se de um dos insultos mais antigos e violentos do racismo estrutural, usado historicamente para desumanizar populações negras, justificar a escravidão, a segregação racial e a exclusão social. Quando essa linguagem é resgatada por alguém que ocupa — ou ocupou — o cargo mais poderoso do planeta, o impacto é global e profundo.

O mais preocupante não é apenas a postagem em si, mas o que ela representa. Trump não age por impulso inocente. Seu histórico político mostra que esse tipo de gesto faz parte de uma estratégia calculada: provocar indignação, mobilizar sua base mais radicalizada e empurrar o debate público para um terreno de conflito identitário, onde o ódio vira combustível eleitoral.

Ao recorrer a um ataque racista contra Barack Obama — o primeiro presidente negro dos Estados Unidos — Trump reafirma uma narrativa que sempre esteve presente em seu discurso: a de que certos grupos não pertencem plenamente à nação, não são legítimos representantes do poder e devem ser constantemente desqualificados. É a política da desumanização travestida de provocação.

Há ainda um elemento simbólico incontornável: atacar Obama é atacar o próprio avanço civilizatório que sua eleição representou. A imagem montada não é apenas contra um indivíduo, mas contra tudo o que ele simboliza — diversidade, inclusão e a possibilidade de ruptura, ainda que parcial, com séculos de supremacia branca institucionalizada.

Silenciar diante disso não é neutralidade; é conivência. Relativizar como “briga política” é ignorar que o racismo não é uma opinião, mas uma violência. Líderes políticos têm responsabilidade sobre o que dizem e, principalmente, sobre o que legitimam. Quando o presidente de uma potência mundial dissemina esse tipo de conteúdo, ele autoriza seus seguidores a fazerem o mesmo — muitas vezes com consequências reais, violentas e irreversíveis.

Este episódio não deve ser tratado como mais uma polêmica nas redes sociais. Ele é um alerta. Um alerta de que o discurso de ódio segue sendo usado como projeto de poder. E de que a democracia, quando tolera o racismo em nome da conveniência política, começa a corroer seus próprios fundamentos.

Racismo não é opinião. É crime, é violência e é sinal de decadência moral. E quando parte do topo do poder, deixa de ser apenas um ataque pessoal para se tornar uma ameaça coletiva.

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