21.8 C
Limeira

Sábado Filosofico: A violência contra os animais como falência da razão moral

- PUBLICIDADE -spot_img

Precisa ler isso...

Banner Publicitário
Fernando Garayo- Jornalista- Ambientalista– Pós Graduando em Ciências Politícas

A maneira como o ser humano trata os animais não é um detalhe periférico da vida ética, mas um de seus núcleos mais reveladores. Ali onde a violência se volta contra seres que não possuem voz, contrato social ou poder de reação, revela-se algo mais profundo do que crueldade: expõe-se a ruptura da razão com a responsabilidade moral.

Mahatma Gandhi formulou essa ideia com clareza filosófica ao afirmar que é possível conhecer o caráter de um homem pela forma como ele trata os animais. Nessa afirmação, o animal ocupa um lugar decisivo: ele é o outro absoluto, aquele que depende inteiramente da consciência humana para não ser reduzido à coisa. Maltratá-lo é, portanto, um gesto que denuncia o vazio ético de quem age.

Immanuel Kant, embora tenha restringido a dignidade moral à racionalidade humana, advertia que a brutalidade contra os animais embrutece o próprio homem. Ao ferir o animal, o sujeito não viola apenas um corpo vivo, mas corrói em si mesmo a capacidade de agir moralmente. A violência, uma vez legitimada contra o indefeso, não encontra mais limites claros.

Arthur Schopenhauer avançou ainda mais ao reconhecer no sofrimento animal uma realidade ética incontornável. Para ele, a compaixão não nasce da razão abstrata, mas do reconhecimento da dor compartilhada. Ignorar o sofrimento de um animal é negar a própria essência da ética, que começa exatamente onde termina o interesse pessoal.

Já Emmanuel Levinas desloca a questão para o campo da responsabilidade radical. Para ele, o rosto do outro — aquele que me interpela silenciosamente — impõe um dever anterior a qualquer lei. O animal, embora não fale, também interpela. Sua vulnerabilidade exige resposta. A indiferença, nesse sentido, é uma forma de violência tão grave quanto o ato direto de agressão.

A sociedade que tolera maus-tratos aos animais normaliza a ideia de que a força justifica o domínio. Ao transformar a vida em objeto, enfraquece o próprio conceito de humanidade. Não por acaso, a história mostra que a desumanização sempre começa pelos mais frágeis.

Defender os animais, portanto, não é sentimentalismo, mas um exercício de lucidez ética. É reconhecer que a moral não se mede pelo poder que se exerce, mas pelo cuidado que se oferece. Onde há compaixão, há civilização; onde há crueldade, há regressão moral.

Como advertiu Gandhi, os animais não são apenas vítimas silenciosas: são o critério mais honesto do caráter humano. Neles se reflete, sem retórica e sem disfarces, o verdadeiro estado da consciência moral de uma sociedade.

 

Banner Publicitário

Descubra mais sobre NJ Notícias

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

Mais notícias...

1 COMMENT

Deixe uma resposta

- PUBLICIDADE -spot_img

Ultimas Notícias