
O Respeito como Alicerce: Educando Homens e Fortalecendo Mulheres
Na nossa última conversa, tocamos no assunto em como a violência costuma se camuflar sob o disfarce da “atenção” ou “preocupação”, revelando-se, mais tarde, como uma invasão profunda da liberdade. Hoje, o convite é para olharmos mais profundamente sobre a raiz do problema: a educação e o papel fundamental de cada um de nós na construção de uma nova postura social.
Em 2026, não basta apenas falar sobre a proteção das vítimas; é imperativo focar na formação dos homens e mulheres, na reestruturação do preventivo, no fortalecimento do equilíbrio entre o acolhimento e firmeza. Dados alarmantes reforçam que o Brasil registrou um recorde de 1.470 feminicídios em 2025 — uma média brutal de quatro mulheres assassinadas por dia. Esse cenário exige que enfrentemos a herança cultural que ainda autoriza a violência.
A começar pelo respeito, ele não é uma concessão ou um “favor” às mulheres; é um dever civilizatório, portanto, inegociável. Educar um homem para respeitar as escolhas de uma mulher, seja o fim de um relacionamento, uma decisão profissional ou sua autonomia física — é libertá-lo da herança arcaica da posse. O homem que compreende que sua masculinidade não depende do controle sobre a sua parceira torna-se um ser humano mais íntegro e menos violento, inclusive consigo mesmo e com o mundo.
Por outro lado, é vital que as mulheres sejam fortalecidas para não negociar o desrespeito. Esse fortalecimento passa, obrigatoriamente, pela valorização pessoal e pelo autoconhecimento: ferramentas essenciais para que a mulher reconheça seu valor intrínseco e rompa com a dependência emocional que, muitas vezes, a mantém aprisionada a parceiros abusivos. A mulher precisa crescer sabendo que o afeto nunca coexiste com a humilhação, o controle ou o medo. Ao cultivar sua autonomia interna, ela se torna capaz de identificar os primeiros sinais de abuso e encontra forças para dizer ‘basta’ logo no primeiro episódio, evitando assim algo que poderia acabar em tragédia.
O Papel do Homem nesta Mudança & A Herança de Posse
Para que o debate seja completo, é preciso entender que o controle masculino não é um “acaso”, mas, fruto de uma construção histórica profunda. Entender o passado é a única forma de desconstruir o presente.
“Educar um homem para respeitar as escolhas de uma mulher é, antes de tudo, ajudá-lo a romper com uma herança histórica de dominação. Durante séculos, o sistema jurídico e social tratou a mulher como uma extensão da propriedade masculina — do pai para o marido. Essa cultura de posse, que outrora era lei, ainda sobrevive no subconsciente de muitos homens sob a forma de controle emocional e físico.
O homem contemporâneo tem um desafio nobre: desaprender o machismo que lhe foi vendido como “força”.
O homem do presente deve ser sinônimo de parceria, não de dominação. Acolher o protagonismo feminino, ver a independência da parceira como um ganho mútuo, e não como uma ameaça à sua virilidade.
“Engana-se o homem que pensa que o protagonismo feminino o diminui. Pelo contrário, ele o liberta. Ao abrir mão das correntes do controle, o homem deixa de ser um vigilante para tornar-se um parceiro. Ele troca a exaustão da dominação pela leveza da cumplicidade. Ser um homem que apoia a independência da mulher é, acima de tudo, um ato de inteligência: significa escolher viver ao lado de uma pessoa inteira, e não de uma sombra, ou de alguém que fica pelo medo.”
Ao tratar a mulher como protagonista de sua própria vida, o homem aprende a ouvir, a empatizar e a vulnerabilizar-se. Isso pode melhorar não só o casamento, mas a relação com filhos, amigos e colegas de trabalho, o homem terá ganho humano e emocional e a diminuição das doenças psicossomáticas. Quando o homem deixa de tentar controlar a mulher, ele se liberta de fardos que nem percebia que carregava.
É muito mais gratificante saber que alguém está com você porque quer, e não porque é impedida de ir embora.
É preciso quebrar com a cumplicidade do machismo estrutural: educar filhos e amigos, interrompendo piadas, comentários ou comportamentos que desvalorizam ou objetificam a mulher.
Para quebrar a cumplicidade machista, o homem precisa de coragem social. Muitas vezes, o silêncio diante de uma “piada” no grupo de WhatsApp ou de um comentário depreciativo no churrasco é interpretado como concordância.
A Interrupção pode ser Direta (Sem Agressividade), não é preciso dar um sermão, basta retirar o conforto de quem fez o comentário:
Quando alguém fizer uma piada sexista, pergunte seriamente: “Eu não entendi, qual é a graça?”. Isso obriga o interlocutor a explicar o preconceito, o que geralmente gera um constrangimento educativo.
Apenas faça uma afirmação simples: “Cara, isso é desnecessário” ou “Essa fala não combina mais com o que a gente busca hoje”.
É preciso ter posicionamento: “Galera, vamos manter o respeito aqui. Não acho legal compartilhar esse tipo de conteúdo sem consentimento”.
Será que vocês homens estão preparados para a mudança de postura? Ou ainda vão alimentar esse machismo estrutural?
Reforço aqui a todas as leitoras e leitores a ética do consentimento, ou seja, entender que o “não” de uma mulher é o ponto final de qualquer insistência, sem necessidade de justificativas.
O “Não” é um limite soberano. O consentimento deve ser entusiasta, livre e reversível.
O erro histórico do homem é acreditar que o “não” esconde um “talvez”.
Quando uma mulher recusa um convite, um toque ou uma relação, o homem deve parar imediatamente. Não cabe perguntar “por que?”, pois o desejo — ou a falta dele — é autoexplicativo.
Resumindo Não é Não.
Muitas vezes a mulher não diz “não” explicitamente por medo, mas demonstra desconforto físico (desviar o olhar, corpo tenso, respostas curtas).
- O silêncio ou a hesitação não são “sim”.
O consentimento dado no início de uma conversa ou interação não é um “cheque em branco” para o resto da noite. Se a mulher mudar de ideia a qualquer momento, o homem deve aceitar a nova decisão com naturalidade e respeito, sem fazer cobranças ou tentar gerar culpa nela.
O machismo clássico ensina que o homem “vence pelo cansaço”, isso é reconhecido como importunação.
- É preciso entender que insistir após um sinal de desinteresse é uma forma de desrespeito à autonomia da mulher.
O homem seguro de si entende que o interesse deve ser mútuo.
Às mulheres, cabe o fortalecimento da consciência e da rede de apoio. Embora o desrespeito nunca seja culpa da vítima, estabelecer limites inegociáveis é um exercício de autodefesa vital. O desrespeito silencioso de hoje é o combustível da agressão de amanhã. Ao primeiro sinal de controle sobre roupas, amizades, finanças ou privacidade digital — o limite deve ser imposto de forma clara.
A luta por uma sociedade segura deve ser conjunta, seja em Limeira ou em qualquer parte do país, não é uma guerra entre sexos, mas uma jornada educativa conjunta. Homens que respeitam e mulheres que não aceitam menos do que a dignidade plena são os pilares de um futuro em que a violência não encontrará espaço para florescer.
Homens além de maridos, são pais de meninas e tenho certeza de que não querem ver a vida de uma filha ser perdida nas mãos de um descontrolado, assim como homens são pais de meninos e não gostariam de vê-los acabando com a sua própria vida com sangue em suas mãos de sua namorada ou esposa ou mesmo de seus filhos.
Que a educação transforme o medo em liberdade.
Respeito se ensina, dignidade se exige. Chega!
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