27.3 C
Limeira

Mais de 33 milhões fora das urnas: o eleitor que pode decidir o segundo turno

- PUBLICIDADE -spot_img

Precisa ler isso...

Banner Publicitário

Por Fernando Garayo

Fernando Garayo-Jornalista- Cientista Politico

Abstenção transforma eleitor que não votou no primeiro turno em um dos principais alvos de Lula e Flávio Bolsonaro

Mais de 33 milhões de brasileiros não compareceram às urnas no primeiro turno das eleições. O número chama a atenção não apenas pelo seu tamanho, mas pelo peso político que esse contingente poderá ter no segundo turno.

Com a disputa concentrada entre Lula e Flávio Bolsonaro, o eleitor que não votou passa a ocupar uma posição estratégica. Para os dois candidatos, existem agora dois grandes desafios: primeiro, convencer parte desse eleitorado a sair de casa e votar; segundo, apresentar razões concretas para que essas pessoas escolham um dos dois projetos políticos em disputa.

A abstenção, entretanto, não pode ser interpretada automaticamente como rejeição a todos os candidatos. Um eleitor pode deixar de votar por diversos motivos — desinteresse, dificuldades de deslocamento, problemas pessoais ou simplesmente por não se identificar com as opções apresentadas. Por isso, transformar os mais de 33 milhões de ausentes em um bloco político homogêneo seria uma simplificação.

Ainda assim, o número revela uma questão fundamental: milhões de brasileiros que poderiam ter participado da escolha do futuro do país ficaram fora da decisão no primeiro turno.

Segundo turno será uma disputa também pela abstenção

Lula e Flávio Bolsonaro terão agora de falar diretamente com esse eleitor.

Não basta repetir os argumentos utilizados durante o primeiro turno. Será necessário apresentar propostas, explicar projetos e demonstrar por que cada candidatura considera estar mais preparada para governar o Brasil.

O eleitor que não votou terá uma nova oportunidade de participar. E, desta vez, sua decisão poderá ser ainda mais relevante, porque o segundo turno reduz as alternativas e transforma a escolha em uma disputa direta entre dois projetos de país.

A pergunta que se coloca é simples: o que faria esse eleitor sair de casa para votar?

É justamente aí que estará uma das batalhas mais importantes da campanha.

O que está em jogo vai além dos candidatos

O segundo turno não deve ser tratado apenas como uma disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro. O voto também representará uma escolha sobre os rumos que o Brasil pretende seguir nos próximos anos.

Questões como democracia, soberania nacional, desenvolvimento econômico, sustentabilidade, políticas sociais, relações internacionais e instituições republicanas estarão inevitavelmente presentes no debate.

Para o eleitor que permaneceu ausente no primeiro turno, será importante compreender que a decisão não termina na escolha de um nome. O voto também significa escolher quais ideias, prioridades e valores deverão orientar o Estado brasileiro.

A soberania nacional, por exemplo, envolve a capacidade de o Brasil definir seus próprios interesses e suas políticas sem submissão a pressões externas. A democracia depende do respeito às instituições, às eleições, às liberdades civis e ao resultado das urnas. E o desenvolvimento sustentável exige conciliar crescimento econômico, geração de empregos e redução das desigualdades com responsabilidade ambiental.

Ficar em cima do muro também é uma escolha

O eleitor tem o direito de não gostar de nenhum dos candidatos. Tem também o direito de votar em branco ou anular o voto. A democracia garante essas possibilidades.

Mas existe uma diferença entre não se identificar com os candidatos e simplesmente abandonar o processo eleitoral.

Quando milhões de pessoas deixam de participar, uma parcela menor do eleitorado acaba decidindo por todos. E as consequências dessa decisão atingem também aqueles que preferiram não participar.

Quem não vota continuará pagando impostos, utilizando os serviços públicos, enfrentando as decisões econômicas do governo, convivendo com as políticas de segurança, educação e saúde e sendo afetado pelas escolhas feitas na política externa.

Ou seja: o resultado das urnas não atinge somente quem votou. Ele atinge o país inteiro. Como disse o filósofo grego Platão: “O castigo dos bons que não se interessam por política é serem governados pelos maus”

Por isso, diante de uma eleição decisiva, o eleitor que ficou ausente no primeiro turno precisa refletir sobre uma questão essencial: qual projeto considera melhor para o Brasil?

A responsabilidade de decidir

Não se trata de transformar a eleição em uma obrigação de escolher determinado candidato. Trata-se de reconhecer que a democracia precisa da participação popular para funcionar.

Lula terá de convencer esses eleitores de que seu projeto merece continuidade. Flávio Bolsonaro terá de apresentar razões para conquistar aqueles que não se identificaram com seu campo político no primeiro turno.

E os mais de 33 milhões que não compareceram terão a oportunidade de avaliar novamente suas escolhas.

O segundo turno, portanto, não será apenas uma disputa pela transferência dos votos dos candidatos derrotados. Será também uma disputa pela participação daqueles que ficaram fora das urnas.

No fim, caberá a cada eleitor decidir se quer participar ativamente da definição dos rumos do Brasil ou permanecer distante de uma escolha que, independentemente do resultado, terá consequências sobre sua própria vida.

Porque, em uma democracia, ninguém está completamente fora da política.

Mesmo quem não escolhe também viverá sob as consequências da escolha feita pelos outros.

 

Banner Publicitário

Descubra mais sobre NJ Notícias

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

Mais notícias...

Deixe uma resposta

- PUBLICIDADE -spot_img

Ultimas Notícias