Por Fernando Garayo
A desistência do ex-ministro Ricardo Salles, do Partido Novo, de disputar uma vaga no Senado Federal levanta uma questão que precisa ser esclarecida perante a sociedade brasileira: o que acontecerá com os aproximadamente R$ 3 milhões que ele teria recebido para financiar sua campanha eleitoral?
O dinheiro do fundo partidário e do fundo eleitoral tem origem pública. Portanto, não pode ser tratado como patrimônio particular de candidatos ou dirigentes partidários.
Se a candidatura foi abandonada, é legítimo perguntar: o recurso será devolvido? Ficará à disposição do partido? Poderá ser transferido para outros candidatos? E quem fiscalizará a destinação desse dinheiro?
São perguntas que exigem transparência, prestação de contas e esclarecimentos à população.
O dinheiro público precisa ser explicado
Segundo reportagem publicada pelo UOL em 28 de setembro de 2026, Ricardo Salles recebeu R$ 3,1 milhões em recursos públicos, dos quais R$ 2,3 milhões vieram do Fundo Partidário e R$ 850 mil do Fundo Eleitoral. A campanha arrecadou, no total, aproximadamente R$ 4,5 milhões.
A situação financeira informada é a seguinte:
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Item |
Valor aproximado |
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Recursos públicos recebidos |
R$ 3,1 milhões |
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Recursos públicos já gastos |
R$ 1,76 milhão |
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Saldo público não utilizado |
R$ 1,3 milhão |
O saldo público não utilizado deverá ser devolvido conforme a origem dos recursos. O dinheiro do Fundo Eleitoral retorna ao Tesouro Nacional, enquanto as sobras do Fundo Partidário seguem as regras eleitorais de transferência ao partido.
Portanto, a questão jurídica é diferente da questão política: a legislação não exige que Salles devolva automaticamente o dinheiro que foi regularmente gasto apenas porque desistiu da candidatura. Eventuais irregularidades na aplicação dos recursos, porém, podem ser fiscalizadas pela Justiça Eleitoral.
A contradição política do Partido Novo
A desistência também coloca em discussão a posição histórica do Partido Novo, que defendia a rejeição ao financiamento público de campanhas e passou a utilizar esses recursos nas eleições gerais de 2026.
A pergunta que fica para o eleitor é: se o dinheiro público foi destinado à candidatura de Ricardo Salles, quais benefícios eleitorais concretos essa aplicação trouxe à população, diante da retirada do candidato da disputa?
Não se trata de afirmar que houve crime ou desvio de dinheiro. Trata-se de exigir transparência sobre uma verba que pertence à sociedade.
O eleitor tem o direito de saber quanto foi gasto, em que foi gasto, quanto será devolvido e quem assumirá a responsabilidade política por essa decisão.
Fontes para a reportagem:
- UOL — Ricardo Salles desiste do Senado após receber R$ 3 milhões de verba pública
- TSE — Regras para devolução de sobras de campanha
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