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Senado aprova comitiva para ir aos Estados Unidos pago com dinheiro público preitear asilo político a Alexandre Ramagem

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Fernando Garayo- Jornalista- Ambientalista– Pós Graduado em Ciências Politícas

A provação de uma comitiva custeada pelo Senado brasileiro viajar aos Estados Unidos a pedido do senador Jorge Seif (PL-SC), para pleitear asilo político em favor de Alexandre Ramagem não é apenas controversa — ela escancara um problema mais profundo na forma como parte da classe política brasileira tem lidado com instituições, recursos públicos e o próprio conceito de soberania nacional.

Em primeiro lugar, é preciso colocar as coisas em perspectiva: o asilo político é um instrumento do direito internacional pensado para proteger indivíduos perseguidos por regimes autoritários, onde não há garantias mínimas de defesa ou devido processo legal. Não é — ou não deveria ser — uma ferramenta de conveniência para agentes públicos que enfrentam investigações ou processos dentro de um Estado democrático de direito. O Brasil, com todas as suas falhas, ainda possui instituições funcionando, Judiciário independente e mecanismos de defesa amplamente reconhecidos.

Quando parlamentares cogitam mobilizar uma comitiva oficial — paga com dinheiro público — para interceder junto a outro país, como os Estados Unidos, o gesto deixa de ser apenas político e passa a ser simbólico. Ele sugere, ainda que indiretamente, que o Brasil não seria capaz de garantir justiça a seus próprios cidadãos. Isso não apenas fragiliza a imagem institucional do país no exterior, como também alimenta uma narrativa perigosa de deslegitimação interna.

Mais grave ainda é o precedente. Se cada grupo político decidir recorrer a aliados internacionais sempre que se sentir ameaçado por decisões judiciais, cria-se uma espécie de “diplomacia paralela” baseada em interesses pessoais ou partidários. O resultado disso é previsível: erosão da confiança nas instituições e banalização de mecanismos sérios como o asilo político.

Há também a questão do uso de recursos públicos. Em um país com demandas urgentes em áreas como saúde, educação e infraestrutura, é difícil justificar o financiamento de uma missão internacional cujo objetivo não atende ao interesse coletivo, mas sim a uma agenda específica e controversa. O contribuinte brasileiro não deveria ser chamado a custear esse tipo de iniciativa.

Por fim, essa movimentação dialoga com um fenômeno mais amplo: a crescente tentativa de internacionalizar disputas políticas domésticas. Ao buscar apoio externo, determinados atores parecem apostar na pressão internacional como forma de influenciar decisões internas. Trata-se de uma estratégia arriscada, que pode sair pela culatra ao reforçar percepções de fragilidade institucional.

Em vez de buscar atalhos fora do país, o caminho mais sólido — ainda que mais difícil — continua sendo o respeito às regras do jogo democrático. Se há abusos, que sejam denunciados e corrigidos dentro do próprio sistema. Se há divergências, que sejam debatidas nos fóruns adequados. O que não parece razoável é transformar o Senado em uma ponte para contornar as próprias instituições que ele deveria defender.

No fim das contas, a pergunta que fica não é sobre a viabilidade do asilo, mas sobre o tipo de país que se quer construir: um que resolve seus conflitos internamente, com base em suas leis, ou um que recorre ao exterior sempre que a política doméstica se torna inconveniente.

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