
A assinatura do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia escancara mais do que uma negociação econômica de décadas finalmente concluída. Ela evidencia, sobretudo, uma mudança profunda de orientação política e diplomática do Brasil — algo que dificilmente teria ocorrido se Jair Bolsonaro ainda ocupasse a Presidência da República.
Durante seu governo, Bolsonaro deixou claro que sua política externa não era guiada por interesses estratégicos de longo prazo, mas por alinhamentos ideológicos. O então presidente optou por submeter o Brasil a uma relação quase subalterna aos Estados Unidos de Donald Trump, adotando discursos negacionistas, hostis ao multilateralismo e abertamente críticos à agenda ambiental e aos compromissos internacionais — exatamente os pontos centrais exigidos pela União Europeia para destravar o acordo com o Mercosul.
O impasse ambiental foi o símbolo maior desse isolamento. Enquanto líderes europeus cobravam garantias reais contra o desmatamento e respeito aos acordos climáticos, Bolsonaro reagia com ataques, ironias e teorias conspiratórias, tratando a preservação da Amazônia como uma afronta à soberania nacional. Essa postura tornou o Brasil um parceiro pouco confiável e politicamente tóxico no cenário internacional.
A afinidade com Donald Trump, marcada por uma diplomacia de confronto e desprezo pelas instituições multilaterais, também pesou. Ao apostar em um mundo dividido entre aliados ideológicos e inimigos imaginários, Bolsonaro afastou o país de fóruns decisivos e comprometeu negociações estratégicas. Não por acaso, o acordo Mercosul–União Europeia ficou praticamente congelado durante todo o seu mandato.
O atual avanço do tratado mostra que política externa não é palco para guerras culturais, mas instrumento de desenvolvimento. Com o retorno do Brasil a uma diplomacia pragmática, baseada no diálogo, no respeito ambiental e na reconstrução da credibilidade internacional, o país volta a ser visto como um ator relevante — e não como um problema a ser evitado.
Mais do que um acordo comercial, a assinatura com a União Europeia representa uma escolha de rumo. Se Bolsonaro ainda fosse presidente, o Brasil provavelmente continuaria isolado, refém de um alinhamento ideológico ultrapassado e incapaz de compreender que soberania se constrói com protagonismo, não com submissão a líderes estrangeiros como Donald Trump.
O acordo só saiu do papel porque o Brasil mudou de governo — e, principalmente, de visão de mundo.
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