
A reação do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) ao comercial das Havaianas revela, mais uma vez, como a chamada “guerra cultural” se tornou o eixo central da atuação política de setores da direita radical no Brasil. Diante de uma peça publicitária que exalta diversidade e identidade social — sem citar partidos, governos ou candidatos — o parlamentar optou por transformar uma sandália em inimiga ideológica.
Nas redes sociais, Eduardo Bolsonaro acusou a marca de “militância política” e insinuou que empresas que adotam esse tipo de discurso estariam desrespeitando consumidores conservadores. O tom não foi apenas de crítica: houve convocação explícita ao boicote e tentativas de constranger economicamente a empresa, estratégia recorrente de um campo político que diz defender o livre mercado, mas reage com fúria quando a liberdade não segue sua cartilha ideológica.
A ofensiva contra as Havaianas não é um episódio isolado. Ela se insere em um padrão de atuação no qual Eduardo Bolsonaro e aliados elegem alvos simbólicos — artistas, professores, jornalistas ou empresas — para manter acesa a narrativa de confronto permanente entre “nós” e “eles”. Nesse jogo, pouco importa o conteúdo real da campanha publicitária; o objetivo é mobilizar a base política por meio da indignação constante.
Ao atacar uma empresa privada por suas escolhas de comunicação, Eduardo Bolsonaro expõe uma contradição central do bolsonarismo: a defesa seletiva da liberdade. A liberdade de expressão é exaltada quando serve para atacar instituições, minorias ou adversários políticos, mas passa a ser tratada como ameaça quando uma marca decide dialogar com valores que não agradam ao campo conservador.
Especialistas em comunicação apontam que campanhas como a das Havaianas refletem transformações sociais e de mercado, não conspirações ideológicas. Ainda assim, o deputado insiste em enquadrar qualquer manifestação cultural fora do seu espectro político como “doutrinação”, ampliando o clima de intolerância e patrulhamento ideológico.
No fim, a cruzada de Eduardo Bolsonaro contra uma sandália diz menos sobre publicidade e mais sobre política. Revela um projeto que precisa do conflito permanente para sobreviver, mesmo que, para isso, seja necessário transformar uma campanha comercial em ameaça moral. Em um país com desafios econômicos e sociais urgentes, a obsessão com guerras simbólicas parece menos uma defesa de valores e mais uma fuga deliberada do debate sobre problemas reais do Brasil.
Outro aspecto desta guerra declarada a Sandálias Havaianas é tirar o foco dos militantes da extrema direita, sobre o escândalo que envolveu o deputado Sóstenes Cavalcante líder do Partido Liberal ((PL) na Câmara e Carlos Jordy também do PL.
No apartamento de Sóstenes foram encontrados R$430 mil reais em dinheiro, os deputados são investigados por desvio de verba de gabinete. O caso das Havaianas além de ser uma guerra ideológica, também está sendo usado pelos bolsonaristas como cortina de fumaça para alienar ainda mais seus seguidores.
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