Coluna: “Mulheres Reais em Foco”

Prezados leitores, bem-vindos à coluna Mulheres Reais em Foco.
Chegamos a 2026 extreando essa coluna, e a pergunta que ecoa hoje é: quem são, afinal, as “Mulheres Reais”? E, sem dúvidas há muitas maneiras de responder essa pergunta, porque as mulheres reais são aquelas que desbravam o mercado de trabalho, lideram projetos inovadores, atuam em todas as áreas de nossa sociedade, mas, ao chegar em casa, ainda se deparam com o peso visível de suas responsabilidades com o lar e os filhos e uma carga invisível mental.
E existe um abismo social aqui: se a mulher é mais qualificada e possui um posto de trabalho equivalente, ainda pode ter uma amortização desses pesos, pois, pode pagar uma ajudante parcial ou para todos os dias. Mas, para a grande maioria, a rotina torna-se uma jornada exaustiva e sem fim.
Somos a geração de mulheres que conquistou o espaço público, mas, que ainda luta para que o espaço privado, o lar, seja um território de real parceria e não de sobrecarga solitária.
Os desafios de hoje são multifacetados: – enfrentamos a pressão estética ditada da beleza, a necessidade de atualização constante em um mundo hipertecnológico e a eterna busca pelo equilíbrio entre a carreira, o autocuidado e a família. Ser mulher hoje é um ato de resistência diária; é ter que provar competência em dobro enquanto se equilibra em estruturas sociais que, embora em transição, ainda conservam raízes arcaicas de desigualdade.
Ser mulher no Brasil além de equilibrar jornadas, tem de enfrentar o machismo estrutural que insiste em nos relegar a posições de subordinação. Lidamos com a dupla jornada, a desvalorização profissional, a pressão estética, o assédio e a constante luta por respeito e direitos. A violência psicológica, física e sexual, velada ou explícita, é uma sombra persistente, manifestando-se em ameaças, perseguições e agressões que muitas vezes começam muito antes de se tornarem um grito por socorro.
Contudo, não podemos falar da realidade feminina sem tocar na ferida aberta que sangra em nosso país: o feminicídio. O Brasil está entre os países com os piores índices do mundo, e em nossa querida Limeira, esse fato tem sido muito frequente, abrimos e fechamos o ano com esse peso que nos diz muito de como está nossa sociedade. É desolador que, após décadas de luta, o medo ainda seja um companheiro indesejado de tantas brasileiras. O feminicídio não é um “crime passional” ou uma fatalidade; é o ápice cruel de uma cultura de posse que nega à mulher o direito de ser respeitada por suas escolhas, e o mais básico: o direito existir.
Neste cenário, a nossa maior arma é a rede de apoio e a informação. Não podemos permitir que o silêncio seja o cúmplice do agressor. Se você ou alguém que você conhece está vivenciando um ciclo de abuso seja ele físico, psicológico ou patrimonial, saiba que existem caminhos:
- Ligue 180 é um serviço essencial que oferece acolhimento e orientações cruciais em momentos de vulnerabilidade.
- Utilize os mecanismos da Lei Maria da Penha para solicitar medidas protetivas de urgência.
- Busque coletivos femininos e os Centros de Referência de Assistência Social (CRAS/CREAS) para suporte emocional e social.
As “Mulheres Reais” em foco nesta coluna não são super-heroínas de capa, mas, a mulher de carne, osso e sonhos que exige o direito de viver sem medo. Que em 2026, nossa voz seja mais forte que o silêncio e nossa união seja a barreira que interrompe o ciclo da violência.
A luta contra o feminicídio não é só das mulheres; é um problema de toda a sociedade. Precisamos de mudança cultural, educação para relações igualitárias, e de cobrar dos governantes ações concretas para proteger vidas. Cada mulher assassinada é um pedaço da nossa sociedade que morre. Não podemos nos calar. A mulher real merece viver, e o foco deve ser a construção de um futuro em que nenhuma mulher precise temer pela sua vida.
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Pela vida de todas as mulheres. Hoje e sempre!
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