
Crédito: Ricardo Stuckert/PT Brasil
O eleitorado de Limeira reforçou seu posicionamento conservador. Porém, dá sinais de esgotamento parcial do discurso da família Bolsonaro. A votação do candidato Flávio Bolsonaro (PL) avançou menos do que a do seu adversário nesse 2º turno, Lula (PT), que acabou ficando com a vitória na disputa presidencial.
No 1º turno, Flávio teve 69% dos votos válidos na votação, ante 22% do petista. Na votação de 25 de outubro, essa disputa acabou 71 a 28% para o candidato do PL. A avaliação é que parte dos votos dados aos presidenciáveis conservadores nas urnas em 4 de outubro não migrou para Flávio.
Outro dado vindo das urnas mostra menor abstenção. Foram 34 mil faltantes, ante 39 mil no 1º turno em Limeira. Este dado explica, em grande parte, o avanço petista – fruto de quem não foi votar antes.
A vitória de Flávio nas urnas do município seguiu incontestável. Foram 127 mil votos, contra 50 mil de Lula. Porém, chama a atenção que, numericamente, Lula evoluiu – teve o apoio de 11 mil eleitores a mais, superando Flávio, que recebeu votos de 9 mil limeirenses a mais.
Fontes próximas da campanha do PT em Limeira se mostraram surpresas. Em conversas reservadas, pelo menos uma delas se disse impressionada com a mobilização da carreata de pró-Flávio em Limeira, no sábado, dia 24. A quantidade de veículos e motocicletas que circulou pela cidade chamou a atenção dessa apoiadora de Lula.
Os erros da candidatura do PL
Porém, não faltam avaliações de que houve erros básicos na mobilização do PL. Uma delas foi o uso da hashtag #ForaLula nas legendas das publicações sobre o ato de Limeira nas redes sociais. “Talvez parte de quem acompanhou a passeata do PL tenha ido mais por rejeição a Lula do que apoio a Flávio. Usar o nome de um concorrente sempre vai trazer esse nome à memória do eleitor. Funciona bem numa eleição para deputado, vereador, mas para presidente, governador, é uma estratégia bem arriscada”, disse um analista de comunicação.
Outro apontamento da falta de coordenação ameaça chegar à eleição municipal. No palanque de Flávio em Limeira, não cabia todo mundo – simpatizantes e adversários do prefeito Murilo Félix. Por iniciativa própria, Murilo esteve na Avenida Paulista e em Brasília, onde apareceu sem ter algum potencial adversário local por perto – como a dra. Mayra e Betinho Neves.
Limeirense com maior visibilidade em Brasília, o deputado federal reeleito Miguel Lombardi (PL) sinalizou, novamente, não estar à vontade. Surgiram vídeos com rosto pintado e balançando bandeira, mas que não são a praia de Miguel, nem de seu eleitorado – exceto os que curtem o estilo influencer digital.
Aliás, a bancada de deputados do PL eleitos no formato influencer pode ser um problema para Miguel, que tem estilo mais conciliador. Miguel não esconde estar ansioso para escolha dos presidentes da Câmara e do Senado Federal, que responderão pelo andamento das pautas de interesse da oposição ao novo governo Lula.
O PT local avalia a rota
Em nível nacional, Lula avançou mais do que em Limeira. Conseguiu o 4º mandato com 4,4 milhões de votos a mais que o oponente – 64,2 milhões de votos contra 59,8 milhões do oponente.
Os números locais chamam o PT local para o jogo. Há lideranças que rejeitam a tese de evitar conversar com o partido, em função da rejeição de Lula. O presidente da Câmara, Everton Ferreira, mesmo antes do 2º turno, defendeu o diálogo. Na mesa, com certeza estaria a sua colega de Câmara Isabelly Carvalho, petista em segundo mandato e que puxou a campanha lulista na cidade.
A questão para eventuais apoios passar por “furar a bolha”. Nesta segunda-feira, 26/10, teve gente moderada que sentiu a falta de o partido na cidade agradecer a votação relevante – para os padrões da cidade – obtida por Lula. A última postagem no perfil do PT local fazia alusão ato Arte pela Democracia.
E foram os justamente os artistas que puxaram, em grande parte, a comemoração da vitória de Lula no Centro. Algo que parecia impensável, repetindo para a conservadora Limeira.
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