Por Fernando Garayo
Com mais de 64 milhões de votos, presidente conquista o quarto mandato e derrota Flávio Bolsonaro no segundo turno
O Brasil vive neste domingo, 25 de outubro, um dos momentos mais marcantes de sua história política recente. Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito presidente da República, derrotando o senador Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições de 2026. A vitória representa um feito inédito: Lula conquistou seu quarto mandato presidencial, depois de uma disputa acirrada e de uma virada em relação ao primeiro turno.
Mais do que uma disputa entre dois candidatos, a eleição foi marcada por um confronto de projetos para o futuro do país, com debates sobre direitos sociais, economia, soberania nacional, instituições democráticas e os rumos da democracia brasileira.
Os números da vitória
Na atualização divulgada às 21h17 deste domingo, com 99,79% das urnas apuradas, Lula alcançava 51,76% dos votos válidos, totalizando 64.092.177 votos. Flávio Bolsonaro registrava 48,24%, com 59.734.450 votos.
A diferença era de aproximadamente 4,36 milhões de votos, conforme os dados parciais da apuração atribuídos ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A totalização ainda estava em andamento naquele momento, e os números poderiam sofrer ajustes até a conclusão oficial.
A vitória foi especialmente significativa porque Lula havia terminado o primeiro turno atrás do adversário. A reversão do resultado demonstra a capacidade de mobilização das forças políticas e sociais que se organizaram durante as três semanas que separaram as duas votações.
A coragem de um povo que decidiu nas urnas
A campanha do segundo turno foi atravessada por um debate fundamental: que modelo de país os brasileiros desejam construir e quais limites devem ser respeitados por quem exerce o poder?
Para os setores que identificaram na candidatura de Flávio Bolsonaro a continuidade do bolsonarismo e de suas posições mais confrontadoras com instituições e adversários políticos, a vitória de Lula representa uma resposta eleitoral à ameaça que enxergavam para a democracia.
A expressão “derrotar o fascismo”, presente no discurso de movimentos populares e de apoiadores do presidente reeleito, sintetiza essa interpretação política da disputa. Trata-se de uma avaliação defendida por esses setores, em uma eleição na qual o eleitorado também expressou preocupações econômicas, sociais e ideológicas distintas.
O resultado mostra, acima de tudo, que a decisão sobre a Presidência da República pertence aos eleitores e deve ser respeitada dentro das regras constitucionais. A coragem democrática se manifesta na participação popular, na liberdade de escolha e na defesa de instituições capazes de garantir que as divergências políticas sejam resolvidas sem violência e sem a destruição dos direitos fundamentais.
A democracia não termina com a eleição
A reeleição não encerra os desafios do país. O próximo governo terá de enfrentar a polarização política, as desigualdades sociais, as dificuldades econômicas e a necessidade de reconstruir pontes entre brasileiros que fizeram escolhas diferentes nas urnas.
Também será necessário preservar a liberdade de imprensa, o pluralismo político, a independência das instituições e o direito de oposição. A democracia não pode ser propriedade de um partido ou de um presidente: é um patrimônio coletivo que exige responsabilidade de governantes, parlamentares, autoridades e cidadãos.
Os milhões de brasileiros que votaram em Flávio Bolsonaro também fazem parte da sociedade que precisa ser representada e respeitada. A vitória eleitoral confere legitimidade para governar, mas não elimina o dever de dialogar nem autoriza qualquer governante a agir acima da Constituição.
Uma página importante da história brasileira
Ao conquistar seu quarto mandato, Lula entra novamente para a história eleitoral do Brasil. Sua trajetória, iniciada no movimento sindical e marcada por três mandatos presidenciais anteriores, ganha um novo capítulo em uma eleição de forte polarização e disputa nacional.
Para os eleitores que saíram às ruas, participaram de mobilizações e defenderam a continuidade de políticas sociais e a preservação das instituições democráticas, o resultado representa uma vitória da esperança sobre o medo de retrocessos.
A mensagem que fica deste 25 de outubro é que a democracia não se sustenta apenas pela vontade de quem vence, mas pelo respeito à Constituição, à diversidade de opiniões e à soberania popular.
O Brasil escolheu seu presidente. Agora, o desafio é transformar a vitória nas urnas em compromisso com os direitos do povo, com a justiça social e com a defesa permanente da democracia.
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