
A recente declaração do aliado de Donald Trump, o empresário italiano Paolo Zampolli, chamando mulheres brasileiras de “prostitutas” e “raça maldita”, não é um deslize isolado — é sintoma. Sintoma de uma cultura política que naturaliza o desprezo, sobretudo quando dirigido a mulheres e a países fora do eixo de poder global.
Zampolli não é um anônimo na periferia do trumpismo. Trata-se de um aliado próximo do presidente norte-americano, com trânsito em espaços de poder e nomeações oficiais em seu governo. Quando alguém com esse perfil vocalizam preconceitos dessa magnitude, o problema deixa de ser individual: torna-se político.
O insulto como linguagem da extrema-direita
As falas atribuídas a Zampolli — que incluem a ideia de que mulheres brasileiras seriam “programadas” para comportamentos degradantes — ecoam uma velha lógica colonial: a de reduzir países do Sul Global a caricaturas morais e sexuais.
Não se trata apenas de misoginia. É também xenofobia e uma tentativa de desumanização coletiva. O Brasil, historicamente marcado por estereótipos internacionais ligados à sexualização de suas mulheres, vê esse imaginário ser reciclado por figuras que orbitam o poder global.
E aqui cabe uma pergunta incômoda: por que esse tipo de discurso encontra eco político?
Da Casa Branca ao Planalto: a conexão ideológica
A resposta passa por uma afinidade clara entre a extrema-direita internacional e o bolsonarismo. Durante seu mandato, Jair Bolsonaro acumulou declarações ofensivas contra mulheres — não como exceção, mas como padrão.
Entre os episódios mais conhecidos estão:
- A fala direcionada à deputada Maria do Rosário, quando disse que ela “não merecia ser estuprada”;
- Declarações públicas de que teve uma filha mulher como fruto de uma “fraquejada”;
- Comentários recorrentes associando mulheres à inferioridade ou incapacidade.
Essas falas não são ruídos de comunicação. Elas compõem uma narrativa política baseada na humilhação como ferramenta de mobilização. Ao transformar o ataque em espetáculo, líderes e aliados consolidam uma base que enxerga o “politicamente incorreto” como virtude.
Normalização do inaceitável
O caso Zampolli revela algo mais profundo: a internacionalização desse discurso. Não estamos diante de episódios isolados em países diferentes, mas de uma rede ideológica que compartilha métodos, linguagem e alvos.
Mulheres, minorias e nações periféricas tornam-se bodes expiatórios de uma retórica que precisa constantemente de inimigos para se sustentar.
Ao chamar brasileiras de “prostitutas”, Zampolli não apenas ofende milhões de mulheres — ele reforça uma lógica que legitima violência simbólica e material. Afinal, desumanizar é sempre o primeiro passo para justificar abusos.
O silêncio também comunica
Tão grave quanto à declaração é a reação (ou a falta dela). A ausência de condenações contundentes por parte de figuras alinhadas a esse campo político reforça a ideia de que tais falas são toleráveis — ou até estratégicas.
Num cenário global onde lideranças flertam com o autoritarismo, a misoginia deixa de ser apenas preconceito individual e passa a ser instrumento de poder.
Mais do que indignação, responsabilidade.
O episódio deveria servir como alerta. Não apenas sobre quem fala, mas sobre o ambiente que permite que se fale assim — sem consequências proporcionais.
A política, quando degrada o outro, degrada a si mesma. E quando transforma o insulto em linguagem oficial, abre caminho para algo ainda mais perigoso: a banalização da violência.
No fim, a pergunta que fica não é apenas sobre Zampolli ou Trump. É sobre até onde sociedades democráticas estão dispostas a tolerar o intolerável — e a que custo.
Fico pasmado quando vejo mulheres brasileiras ainda idolatrar um governo de extrema direita que por 4 anos ridicularizou as mulheres, com violência verbal. Essas mesmas mulheres estão nas redes sociais fazendo campanha para o filho deste ex- presidente se for eleito vai terminar o trabalho que o pai não terminou! Fica a reflexão.
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