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“A única coisa que mete medo em político é o povo na rua“. Ulysses Guimarães.

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Fernando Garayo- Jornalista- Ambientalista– Pós Graduado em Ciências Politícas

Na noite de 25 de abril de 1984, em uma das noites mais emblemáticas da história política brasileira, o país acompanhou, entre a tensão e a esperança, a votação da emenda que poderia restabelecer as eleições diretas para presidente da República. No auge da mobilização popular conhecida como Diretas Já. No entanto, apesar da pressão das ruas, a proposta acabou derrotada na Câmara dos Deputados por uma diferença de apenas 22 votos.

A chamada Emenda Dante de Oliveira, apresentada pelo então deputado Dante de Oliveira, previa a volta do voto direto para presidente ainda em 1985, encerrando de forma imediata o ciclo de eleições indiretas imposto pela ditadura militar (1964–1985). Para ser aprovada, a proposta precisava do apoio de dois terços dos parlamentares um quórum elevado que se mostrou decisivo para seu fracasso.

Naquela noite, o plenário refletia a divisão de um país em transição. Enquanto parlamentares governistas trabalhavam para esvaziar a sessão, evitando o quórum necessário, a oposição e setores dissidentes do regime buscavam garantir presença e votos. Do lado de fora, milhões de brasileiros acompanhavam com expectativa, após meses de manifestações massivas em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte.

A emenda obteve 298 votos favoráveis — expressiva maioria simples, mas insuficiente para alcançar os 320 votos exigidos. Houve ainda 65 votos contrários e um número significativo de ausências, fator que contribuiu diretamente para o resultado final.

A derrota, no entanto, não significou o fim do movimento. Pelo contrário: consolidou as Diretas Já como um marco da redemocratização brasileira. A pressão popular continuou a crescer, enfraquecendo o regime militar e abrindo caminho para a eleição indireta de Tancredo Neves no Colégio Eleitoral, em 1985 — um passo decisivo para o retorno do governo civil.

Quatro décadas depois, a votação da emenda permanece como símbolo de um momento em que a sociedade brasileira se mobilizou de forma ampla e plural em defesa da democracia. À noite em que as Diretas não vieram, paradoxalmente, ajudou a pavimentar o caminho para que elas se tornassem inevitáveis poucos anos depois.

Ao revisitar esse episódio, apontam paralelos com debates contemporâneos sobre direitos sociais e condições de trabalho. Propostas como o fim da chamada escala 6×1 regime em que o trabalhador atua seis dias consecutivos para folgar apenas um — têm ganhado espaço no debate público. Assim como ocorreu nos anos 1980, mudanças estruturais dessa natureza tendem a depender não apenas da articulação institucional, mas também de pressão social organizada.

Nesse sentido, a memória das Diretas Já reforça a importância da participação cidadã. Se, naquele momento, milhões foram às ruas exigir o direito de escolher diretamente seus governantes, hoje a mobilização popular continua sendo um instrumento legítimo para pautar transformações — inclusive no campo das relações de trabalho e da qualidade de vida.

 

 

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