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Até palmeirense achava que daria Inter: o título inédito, 40 anos depois

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Capa do Jornal de Limeira festeja o título da Inter
Crédito: Perfil Imortais do Futebol

Adalberto Mansur

Agência ProImprensa

A Internacional festeja o passado, de olho no futuro. Nesta quinta-feira, 3 de setembro, o clube relembrou os 40 anos do título inédito de campeão paulista de futebol em 1986.

Três dias antes da data, seu Conselho Deliberativo decidiu transformar o clube em SAF. Nos próximos meses, a administração passará a ser feita por executivos indicados por investidores, como os campeões mundiais Ronaldo Nazário e Roberto Carlos.

Os dirigentes da SAF buscam a confiança da torcida para enfrentar os desafios. E confiança foi um fator fundamental em 1986 para a conquista da condição de “primeiro campeão caipira do interior”.

No ano anterior, o clube terminou o estadual na 10ª posição entre 20 participantes. Mais que a campanha, os olhares estavam voltados para a presença de Eder Aleixo na equipe. Ídolo nacional e integrante da notável seleção da Copa de 1982, sua contratação por um time interiorano agitou o Limeirão.

Longe dos holofotes, jogadores como Silas, Bolívar, Pecos, João Luís, Gilberto Costa, João Batista, Lê e Tato integravam o elenco de 1985 e trariam o troféu na temporada seguinte. Ainda havia espaço para estrelas, como o atacante Kita, do Internacional (RS). Foi justamente a mescla de experientes atletas com promessas que impulsionou a equipe dirigida por José Macia, o Pepe.

Melhor campanha entre 20 times

O estadual de 1986 tinha 20 equipes, que se enfrentaram em turno e returno. O campeão de cada um dos turnos e os outros 2 melhores da pontuação geral fariam as semifinais.

No primeiro turno, a Inter já mostrou força, terminando somente 5 pontos atrás do melhor dessa fase, o Santos. Então, Pepe e os comandados fizeram um segundo turno irreparável, somando 28 pontos e uma invencibilidade de 16 jogos em 19 disputados. O clube teve a melhor campanha geral dos turnos, 49 pontos ganhos em 38 partidas, superando Palmeiras e Corinthians – que se enfrentaram em uma das semifinais.

Na outra semifinal, a Inter derrotou o Santos duas vezes – 2 a 0 na Vila Belmiro e 2 a 1 em casa.

Crenças – e desconfianças – do futebol

A final contra o Palmeiras alimentou velhas crenças do futebol, como “time do Interior treme em finais contra os grandes”. Outros, em Limeira inclusive, temiam a interferência extracampo, já que o Palmeiras estava há 10 anos sem título paulista.

Cronistas contam que Pepe havia vetado carne de porco nas refeições. Porém, a gastronomia estava presente sim no esquema do treinador – um “arroz e feijão com um pouco de maionese” (ou pimenta).

Algumas vezes, sacar o experiente ponta Gilson Gênio e utilizar o jovem Lê deixava o time com outra cara. O deslocamento do atacante João Luís para a lateral direita deu resultados. Manguinha sabia os “atalhos” de um título caipira, já que estava no elenco do Guarani campeão brasileiro de 1978. A zaga tinha o clássico Juarez e o xerifão Bolívar.

Nas finais, não faltou pressão. O Morumbi, com 104 mil pagantes, viu um empate sem gols no jogo 1. Três dias depois, cerca de 78 mil pagaram para assistir a uma Inter equilibrada no tempo inicial e que precisou dos 8 primeiros minutos do segundo tempo para resolver tudo. Kita abriu o marcador e foi artilheiro do campeonato com 24 gols. Tato fez 2 a 0. O Palmeiras descontou, mas ficou nisso.

O torcedor leonino ainda parecia não acreditar. Na noite da conquista, o único radialista de São Paulo que acompanhava ao vivo a comemoração na praça Toledo Barros se mostrou surpreso com a timidez do público.

Olha que a conquista não foi pouca! Os elencos adversários eram fortes – o Santos tinha Serginho Chulapa, Dunga e Rodolfo Rodrigues. Desta vez, Eder Aleixo estava do outro lado, no Palmeiras, junto com Jorginho e Edmar. O São Paulo tinha os “Menudos” e Careca.

O que diz o palmeirense Mauro Beting

Presente no Morumbi, o palmeirense Mauro Beting, ainda garoto, criou uma imagem que traz hoje para suas redes sociais: o público menor na segunda partida final era um sinal de que os palmeirenses desconfiavam da derrota. Beting é hoje jornalista esportivo.

“Aquele grupo não entrou em campo para respeitar impossibilidades”, filosofou ontem, 3/9, José Macia, no Instagram. Aos 91 anos, ele ainda se emociona com a conquista. Em breve, Pepe terá um busto no Limeirão.

Na verdade, a comemoração em Limeira ficou para o dia 4 de setembro de 1986, incluindo o então prefeito Jurandyr Paixão carregando o troféu, ao lado do presidente leonino Richard Drago.

A Inter ainda festejaria o título brasileiro da Série B em 1988, mas também viveu rebaixamentos doloridos. Nada diferente dos demais clubes de um futebol caipira que perdeu espaço – o Paulista de 1986 teve jogos entre fevereiro e setembro, calendário impensável hoje.

Agora, chegam a SAF e o sonho do retorno à Série B do Brasileiro a partir deste sábado, quando o clube recebe a Ferroviária, no Limeirão. Festejar os 40 anos de um título inédito para o Interior com o acesso nacional é a melhor motivação.

(Com dados apurados na Internet)

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