
Crédito: Divulgação
Os analistas políticos aguardam para os próximos dias os efeitos na eleição presidencial envolvendo a questão religiosa. O candidato Flávio Bolsonaro, do PL, correu às redes sociais na noite desta quinta-feira, 25/09, para desmentir informações que circulavam em grupos de mensagens sobre um eventual apoio a um projeto de lei que tiraria o título de “padroeira do Brasil” de Nossa Senhora Aparecida.
O assunto viralizou nos grupos ao longo daquele dia. À noite, um comentário em telejornal da Globonews apontava a existência de uma correria na campanha do candidato, tentando apagar o incêndio gerado pela informação. De madrugada, a emissora desmentiu a notícia, mas a questão já estava envolta na disputa de narrativas que marcam a atual corrida presidencial.
Flávio contribuiu para a polêmica. Evangélico, o candidato comentou há um mês que um dos primeiros atos, se eleito, é “decretar que o Brasil é do Senhor Jesus Cristo”. Sua fala se relacionava à ausência de Lula (PT) do mesmo debate. “Quero debater com quem não acredita em Deus”, disse, segundo o site UOL.
Esta semana, bispos católicos da região amazônica divulgaram vídeo em que reforçam a soberania nacional. Mesmo sem citar nomes, os bispos se alinharam a uma das principais bandeiras da campanha de Lula, além de fazer uma crítica indireta ao posicionamento do presidenciável do PL no tema.
Em um cenário polarizado, ressurgiu a lembrança de que o autor do projeto de lei 2.623/2007, o então deputado federal Victório Galli, foi assessor especial do presidente Jair Bolsonaro. Esse projeto, arquivado pela Mesa Diretora da Câmara Federal, previa alteração na lei que criou o feriado da Padroeira em 12 de outubro – a expressão “Padroeira do Brasil” daria lugar a “padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos”.
Galli é novamente candidato a deputado pelo Mato Grosso, agora pelo PP, mas ainda no campo da extrema-direita. Tecnicamente, a volta do projeto depende apenas da solicitação de um deputado.
“Espalhem pros católicos”
Em Limeira, o tema provocou mensagens e postagens. “Espalhem pros católicos”, dizia a legenda de uma arte em que estavam Nossa Senhora, Flávio e o título: “Flávio Bolsonaro quer tirar Nossa Senhora Aparecida como Padroeira do Brasil”. O material estava em diversos grupos familiares.
Já um grupo na cidade com maioria pró-Flávio preferiu “se defender atacando”. As últimas postagens políticas citavam que “Lula quer dar um golpe após as eleições” e que muitos senadores silenciam diante da crise do STF por estarem “de rabo preso”.
Agora, os analistas estão de olho no tamanho dos efeitos dessa polêmica para Flávio. A perda é certa; resta precificar o dano a uma semana do primeiro turno envolto em muitas dúvidas.
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