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Limeira

Limeira, seus 200 anos e sua transformação

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A cidade de Limeira, onde eu nasci, nasceram meus 5 filhos, 7 netos e um bisneto. Esta cidade tem uma localização privilegiada, por ter uma ferrovia que corta a cidade e por estar em uma posição estratégica, cercada das principais rodovias estaduais. Foi pioneira no plantio de laranjas, líder no abastecimento interno no país, especialmente para o Rio de Janeiro e São Paulo.

Limeira, que iniciou um processo de exportação de laranja para Argentina, depois iniciou um processo de exportação para Europa, ganhou visibilidade se tornando a Capital da Laranja, chamando atenção das autoridades, pelo destaque de sua produção, mas com grande diversificação, principalmente no setor metalúrgico, de chapéus, de calçados, de fabricação e refinação de açúcar e torrefação de café.

Porque Limeira deixou de ser a capital da laranja? Existem várias versões, me permita emitir a minha versão, pois acompanhei atentamente quando ocorreu na Flórida, EUA, uma geada que destruiu os pomares daquela região. Eu conhecia os produtores de laranja de Limeira, pois era diretor no Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Alimentação e nós representávamos os trabalhadores dos barracões de laranja.

Me lembro que os americanos vieram ao nosso país com muita disposição para ampliar a produção de suco no Brasil, financiaram, ampliaram a produção de suco e montaram várias fábricas para abastecer o mercado dos EUA. Limeira, que era o berço da produção, além de ampliar a produção, com novas fábricas sendo montadas, chegou a ter produção máxima, nas empresas Citrosuco, Citral e Citropecitrina.

Muitos produtores de laranja comentavam que os compradores americanos compravam os pomares na sua florada, bancando um patamar calculado com pagamento antecipado, e garantindo que, caso a produção não atingisse aquele patamar, seria bancado e, caso ultrapassasse, seria paga a diferença. A proposta era encantadora, porém, toda a colheita iria para produção de suco e não mais para abastecer o mercado interno.

Com essa política, o mercado interno foi ocupado por outros produtores mais distantes do Porto de Santos; porém, quando a Flórida retomou a produção de suco nos EUA, houve uma redução de produção de suco no Brasil. Com isso, fecharam as fábricas da Citral, da Citropecitrina e, mais adiante, houve a desativação da Citrosuco.

O caminho ideal seria que os produtores voltassem a abastecer o mercado interno. Mas, o mercado, ou você ocupa, ou outro o ocupa. Já não havia mais espaço para absorver toda produção de laranja da região de Limeira.

Muitos pomares foram arrancados para a plantação de cana-de-açúcar e, desta forma, Limeira deixou de ser a Capital da Laranja – o título foi para a cidade de Bebedouro – passando a ser, mais tarde a Capital da Joia e Folheados.
Esta é, bem resumidamente, um pouco da história de Limeira, que está completando 200 anos, na minha versão. Toda a realidade da história da cidade, completa, com profundidade e ilustrada, está nos livros do meu amigo, o escritor José Eduardo Heflinger Junior, o Toco. Recomendo!

Artur Bueno de Camargo – Presidente- CNTA

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