26.7 C
Limeira

Nem Trump Salvou: quando a Bélgica fez com o futebol o que Jesse Owens fez com Hitler

- PUBLICIDADE -spot_img

Precisa ler isso...

Banner Publicitário

Por Fernando Garayo

Imagem Internet
imagem divulgação: Internet

Há derrotas que ultrapassam o placar. Elas se transformam em símbolos. A goleada da Bélgica sobre os Estados Unidos na Copa do Mundo de 2026 entrou para essa categoria. Não apenas pelo futebol apresentado pelos belgas, mas porque ocorreu dias depois da enorme polêmica provocada pela interferência do presidente norte-americano Donald Trump, que comemorou publicamente a anulação do cartão vermelho aplicado ao atacante da seleção dos Estados Unidos após pressão sobre a FIFA.

A tentativa de transformar decisões esportivas em atos políticos acabou produzindo o efeito contrário. No gramado, a Bélgica respondeu da forma mais antiga e mais democrática que existe no esporte: jogando bola. Foram quatro gols, um recital de futebol e uma lembrança incômoda para todos aqueles que acreditam que poder político pode substituir talento, disciplina e mérito.

A cena remete, inevitavelmente, a outro momento da história.

Em 1936, nos Jogos Olímpicos de Berlim, Adolf Hitler pretendia transformar o esporte em propaganda da suposta superioridade da raça ariana. O estádio deveria ser um templo da ideologia nazista. O roteiro parecia pronto.

Então surgiu Jesse Owens.

O atleta negro norte-americano conquistou quatro medalhas de ouro diante do próprio Führer e desmontou, em poucos dias, uma narrativa construída durante anos. Owens não derrotou apenas adversários; derrotou uma ideologia baseada na arrogância, na discriminação e na crença de que o poder poderia definir quem deveria vencer.

Noventa anos depois, guardadas todas as proporções históricas, a Bélgica ofereceu uma pequena ironia ao mundo do futebol.

Depois de toda a controvérsia envolvendo a tentativa de interferência política em uma decisão disciplinar da FIFA, a seleção norte-americana descobriu que cartões podem ser anulados nos gabinetes, mas gols continuam sendo marcados dentro das quatro linhas.

Nem decretos fazem um atacante correr mais rápido.

Nem discursos aumentam a posse de bola.

Nem pressões diplomáticas ensinam um sistema defensivo a marcar.

Nem telefonemas à FIFA impedem que a bola encontre a rede.

O futebol possui um defeito terrível para os autoritários: ele insiste em obedecer ao placar.

A comparação com Jesse Owens não está na dimensão histórica dos acontecimentos — incomparavelmente mais grave no contexto do nazismo —, mas no simbolismo de um esporte frustrando projetos de instrumentalização política. Em ambos os casos, o resultado esportivo desmontou a narrativa de que a força do poder seria suficiente para controlar o espetáculo.

A história ensina, repetidamente, que governantes passam. Impérios caem. Líderes autoritários desaparecem dos palácios. Mas permanece viva a memória daqueles momentos em que atletas responderam com desempenho à pretensão dos poderosos.

Hitler descobriu isso em Berlim.

Trump, ao ver a Bélgica eliminar os Estados Unidos mesmo depois da polêmica envolvendo a reversão do cartão vermelho, recebeu uma versão futebolística da mesma lição: influência política não marca gols.

Porque, no fim das contas, a bola continua sendo mais teimosa do que qualquer presidente.

Fontes

  • Comitê Olímpico Internacional (COI). Histórico de Jesse Owens nos Jogos Olímpicos de Berlim de 1936.
  • Museu Memorial do Holocausto dos Estados Unidos (USHMM). The Nazi Olympics Berlin 1936.
  • Reportagem do UOL Esporte sobre a declaração de Donald Trump envolvendo o caso Balogun e a arbitragem da Copa do Mundo de 2026.
  • Regulamentos disciplinares da FIFA sobre recursos e revisão de sanções esportivas.
Banner Publicitário

Descubra mais sobre NJ Notícias

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

Mais notícias...

Deixe uma resposta

- PUBLICIDADE -spot_img

Ultimas Notícias