Por Fernando Garayo

Estádio Comendador Agostinho Prada, em Limeira, tem vários itens apontados pela Federação Paulista de Futebol que precisam ser adequados; torre de iluminação retirada há quase um ano continua sem reposição e tobogã permanece sem liberação
A conquista do acesso do Independente Futebol Clube à Série A4 do Campeonato Paulista trouxe de volta ao torcedor do Galo de Limeira a expectativa de grandes jogos e de uma nova fase para o futebol profissional da cidade. Mas, enquanto dentro de campo o clube comemora o acesso, fora dele existe uma pergunta que precisa ser respondida pelo poder público: em que condições o Estádio Comendador Agostinho Prada, o Pradão, receberá os jogos da próxima temporada?
O estádio é municipal e, segundo informações relacionadas à vistoria da Federação Paulista de Futebol (FPF), tem vários apontamentos que precisam ser adequados ou regularizados para que a praça esportiva esteja em condições de receber as partidas dentro das exigências da competição.
A situação coloca a Prefeitura de Limeira diante de uma responsabilidade que não pode ser adiada. Afinal, o Independente conquistou dentro de campo o direito de disputar uma divisão superior do futebol paulista. Agora, é preciso garantir que a cidade tenha condições estruturais para receber esse novo momento.
Torre de iluminação foi retirada e ainda não voltou, um dos problemas mais visíveis do Pradão é a situação da torre de iluminação. A estrutura foi retirada depois de ter sido danificada por um vendaval há quase um ano. Desde então, o equipamento ainda não foi reposto. O problema ganha uma dimensão ainda maior diante do novo calendário do Independente.
Com a disputa da Série A4, existe a possibilidade de o clube precisar realizar partidas no período noturno. Sem um sistema de iluminação adequado e aprovado pelos órgãos responsáveis, a cidade poderá enfrentar uma situação constrangedora: ter um estádio municipal sem condições de receber jogos noturnos de uma equipe que acaba de conquistar o acesso.
A pergunta que fica é simples: Quando a torre será reposta?
E, principalmente, quem será responsável por garantir que o estádio esteja apto a receber jogos à noite?
Não se trata apenas de uma questão estética ou de conforto. Iluminação é um item fundamental para a realização de partidas em determinados horários e para o cumprimento das exigências técnicas estabelecidas para uma competição profissional.
Outro problema que se arrasta há anos é o chamado tobogã do Pradão, estrutura construída para ampliar a capacidade e melhorar as condições de acomodação dos torcedores. Apesar de a obra ter sido realizada há anos, o espaço continua sem liberação definitiva para utilização, segundo informações, por questões relacionadas à análise e às condições do solo.
A questão que precisa ser esclarecida é por que uma obra dessa importância foi executada sem que todos os estudos técnicos necessários, especialmente a análise do solo, estivessem devidamente concluídos antes da construção.
Se a estrutura foi construída sem os estudos necessários, é preciso identificar responsabilidades, avaliar tecnicamente a obra e determinar quais providências precisam ser tomadas para que o espaço possa, eventualmente, ser liberado com segurança.
O que não pode acontecer é uma estrutura permanecer durante anos dentro de um estádio público sem utilização plena e sem uma solução definitiva.
O Pradão pertence ao município. Portanto, a responsabilidade pela manutenção, conservação e adequação estrutural do estádio não pode ser transferida simplesmente para o clube. O Independente precisa cuidar de suas obrigações como equipe profissional, mas não pode ser responsabilizado por problemas estruturais históricos de um equipamento público municipal.
O acesso conquistado pelo Galo representa uma conquista esportiva importante para Limeira. Mas uma competição profissional exige que o estádio esteja de acordo com as normas estabelecidas pela Federação Paulista de Futebol.
Por isso, os apontamentos feitos pela Federação não deveriam ser vistos apenas como uma lista burocrática. Eles precisam ser encarados como um plano de trabalho para recuperar e modernizar estádio.
Esperar o início do campeonato para começar a resolver problemas seria repetir um velho hábito da administração pública: deixar para amanhã aquilo que já deveria ter sido feito ontem. A Prefeitura precisa apresentar um cronograma público de reformas, indicando quais dos itens apontados pela Federação serão corrigidos, quanto será investido, quais obras já estão em andamento e quais têm previsão de conclusão.
No caso da iluminação, a população tem o direito de saber por que a torre retirada há quase um ano ainda não foi reposta, qual será o custo da nova estrutura e qual é o prazo para que o estádio volte a ter condições de receber partidas noturnas.
No caso do tobogã, é necessário esclarecer quem projetou quem executou quem fiscalizou e por que a análise do solo não foi realizada ou não foi considerada suficiente, além de informar quais medidas técnicas serão adotadas para resolver definitivamente a situação.
O torcedor merece respeito, o futebol faz parte da história de Limeira. O Pradão também. É naquele estádio que gerações de torcedores acompanharam vitórias, derrotas, acessos, títulos, grandes jogadores e momentos inesquecíveis do futebol limeirense.
Agora que o Independente volta a subir um degrau no futebol paulista, o estádio precisa acompanhar essa evolução. Não basta o Galo conquistar o acesso. É preciso que o Pradão também esteja preparado para a Série A4.
A Federação já apontou os problemas. A bola, portanto, está agora no campo da administração municipal. E a pergunta que o torcedor galista espera ver respondida é:
A Prefeitura vai preparar o Pradão para a Série A4 ou o Galo terá de pagar o preço pela falta de manutenção de um estádio que pertence ao município?
O futebol já fez a sua parte. Agora é a vez do poder público fazer a sua.

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