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Crise derruba presidente do Paraguai, modelo para conservadores

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País vizinho do Brasil tem crise política e econômica
Crédito: Gemini/IA

A economia do Paraguai, um dos países mais citados pelos políticos e influenciadores digitais de extrema-direita do Brasil, está em crise. O caos atinge também o sistema político.

Nesta quinta-feira, 5 de novembro, enquanto a Câmara dos Deputados discutia a abertura de um processo de impeachment, o presidente Santiago Peña renunciou ao cargo, em meio a uma crise causada pela intervenção do Banco Central Paraguaio no banco digital Ueno Bank.

O próprio partido do presidente, o Colorado, cobrava sua renúncia. Peña justificou a decisão em nome da estabilidade do país. O vice-presidente Pedro Allana assumirá o cargo.

No Brasil, o uso do país vizinho como modelo de economia resulta, segundo o antropólogo Salvador Schavelzon, da admiração de grupos conservadores com a ocupação que o agronegócio do Brasil realiza no país vizinho.

“A direita brasileira acha que é um paraíso porque já estão com os contatos políticos estabelecidos lá. Tem até agências do Banco do Brasil. É como um terreno ocupado pelo agronegócio brasileiro”, afirmou o antropólogo, que é professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), à Agência Brasil.

A crise abala a reputação do Paraguai como destino emergente da América do Sul para o capital estrangeiro. A economia local se aproveitava desse cenário, mas a estrutura financeira do país não avançou na mesma proporção.

O ex-presidente anunciou a renúncia usando as redes sociais. Segundo ele, “a história se encarregará de julgar os acontecimentos que hoje nos cabe vivenciar”.

Mesmo com a renúncia, a Câmara dos Deputados aprovou, por unanimidade, o impeachment. Agora, o Senado decidirá se o processo de destituição perde efeito. Se for cassado, Peña perde o direito ao foro privilegiado.

Entenda a crise

Segundo a Agência Brasil, a liquidação do Ueno Bank, que tinha 2,9 milhões de correntistas, pegou de surpresa a população. Dois terços dos adultos no país tiveram usavam o banco e tiveram seus depósitos congelados.

Houve uma mudança de cultura no país quando o Ueno passou a operar, tornando as operações bancárias mais comuns. O uso de ferramentas digitais foi a principal estratégia para que os correntistas reduzissem o uso de dinheiro em espécie.

Em meio à crise, o presidente do BC paraguaio, Carlos Carvallo, renunciou ao cargo. Ele foi dirigente do banco digital até 2023. Já Santiago Peña era acionista do Grupo Vázquez, que controla o banco, até 2025.

O fundo garantidor paraguaio vai reembolsar até US$ 38 mil por pessoa, ou 75 salários-mínimos do país. A Associação de Importadores e Comerciantes do Paraguai citou um dado que mostra o tamanho do problema: duas em cada três transações das grandes redes varejistas do país são realizadas por contas do Ueno Bank.

A população ainda teme o fato de o Ueno ser responsável pelo pagamento das pensões s de milhares de aposentados e gerenciar um terço dos fundos públicos do país. A agência de risco Moody’s também aponta altos riscos com o cenário atual.

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