26.7 C
Limeira

Quando Trump invade o gramado, o futebol perde.

- PUBLICIDADE -spot_img

Precisa ler isso...

Banner Publicitário
Fernando Garayo-Jornalista- Ciêntitas Politico

Não gosto de escrever sobre futebol por vários motivos. um deles é que perdi a paixão pelo futebol quando deixei as arquibancadas como torcedor e fui para dentro da administração de um clube. Quando assumi a vice-presidêndencia do independente F.C  em 2014 e 2016 a presidência do Conselho Deliberativo tive a oportunidade de conhecer como funciona o jogo de interesses por trás do futebol.Por esse motivo optei por não escrever para não jogar coisas no ventilador e arrumar inimigos no meio do futebol. Essa missão deixo para o editor de esportes do NJ Adalberto Mansur. Mas, depois da recente confirmação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump de que conversou com o presidente da FIFA, Gianni Infantino, para pedir a revisão da punição aplicada ao atacante Folarin Balogun decidi escrever esse texto por ter reacendido um dos debates mais delicados da história do esporte: até que ponto dirigentes esportivos conseguem resistir à pressão dos poderosos? Segundo as reportagens, após esse contato, a FIFA suspendeu a execução da punição, permitindo que o jogador atuasse nas oitavas de final da Copa do Mundo. A decisão provocou protestos de dirigentes, federações e especialistas, que enxergaram um precedente preocupante para a independência das decisões disciplinares.

Ainda mais grave foi a declaração de Trump classificando o árbitro brasileiro Raphael Claus como “suspeito”, insinuando dúvidas sobre sua atuação. Acusações dessa natureza, quando partem de um chefe de Estado durante uma Copa do Mundo, extrapolam a crítica esportiva e podem colocar em risco a autoridade da arbitragem e a própria segurança dos profissionais envolvidos.

A FIFA costuma afirmar que possui “tolerância zero” contra interferências políticas nas federações nacionais. Em diversos momentos da história, puniu países por influência governamental sobre suas confederações. Entretanto, quando a pressão parte de uma das maiores potências do planeta e anfitriã da Copa do Mundo, espera-se da entidade exatamente o mesmo rigor.

É justamente aí que surgem os questionamentos sobre a gestão de Gianni Infantino. O presidente da FIFA tem a obrigação institucional de proteger a autonomia do futebol acima de qualquer interesse político ou diplomático. A percepção de que um telefonema presidencial possa alterar uma decisão disciplinar coloca em dúvida um dos pilares da entidade: a igualdade de tratamento entre todas as seleções.

Se uma punição pode ser revista porque um presidente da República intervém, permanece uma pergunta inevitável: qualquer país teria o mesmo acesso e a mesma influência? Se a resposta for negativa, instala-se a sensação de que existem seleções mais iguais do que outras.

O futebol sobrevive porque milhões de torcedores acreditam que o resultado é decidido dentro de campo. Quando cresce a impressão de que gabinetes presidenciais e relações pessoais podem pesar mais que o regulamento, instala-se uma crise de confiança que nenhum título consegue reparar.

A Copa do Mundo pertence aos povos, não aos governos. A FIFA existe para proteger essa ideia, e não para parecer sensível às conveniências do poder político. Se deseja preservar sua credibilidade, a entidade precisa demonstrar absoluta transparência sobre decisões excepcionais e reafirmar, com atos — e não apenas discursos —, que nenhum chefe de Estado está acima das regras do futebol.

Porque, quando a política apita mais alto que o árbitro, o jogo deixa de ser apenas futebol.

 

Banner Publicitário

Descubra mais sobre NJ Notícias

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

Mais notícias...

Deixe uma resposta

- PUBLICIDADE -spot_img

Ultimas Notícias