
(A Rede de Proteção Social)
O Fim do “Em Briga de Marido e Mulher não se Mete a Colher”
Nas últimas semanas, percorremos os labirintos da violência e os caminhos da educação. Mas, existe um muro que ainda precisamos derrubar para que a “Mulher Real” esteja segura: o muro do silêncio e da indiferença. Durante décadas, fomos ensinados que problemas domésticos devem ser resolvidos entre quatro paredes. Hoje, sabemos que o silêncio é o melhor amigo do agressor.
Após falarmos sobre o feminicídio, a educação, o controle psicológico e a dependência financeira, este texto foca no entorno. É o momento de convocar os vizinhos, os amigos, os familiares e as instituições de Limeira e pelo Brasil para entenderem que ninguém deve lutar sozinho.
Aqui, o equilíbrio do papel masculino é convocado para a fraternidade e a ética. Ser um homem que respeita sua parceira em casa é o básico, mas não é o suficiente se você se cala diante da violência de um amigo, de um vizinho ou de um colega de trabalho. O homem que presencia um desrespeito ou uma ameaça contra uma mulher e “não se mete” está, indiretamente, permitindo que a cultura da posse continue. O verdadeiro papel do homem moderno é ser o primeiro a dizer ao outro: “Isso não é certo, pare agora”. Precisamos de homens que cobrem de outros homens a postura que a nossa sociedade exige.
Para a mulher, a maior barreira para sair de um ciclo de violência é a vergonha e a sensação de isolamento. A educação deve servir para que ela entenda que a violência sofrida não é um fracasso dela, mas um crime do outro. Ao quebrar o silêncio e buscar ajuda em sua rede — seja na família, em grupos de apoio ou em órgãos oficiais — ela deixa de ser uma vítima solitária e passa a ser protegida pelo coletivo.
Intervir não significa necessariamente se colocar em risco físico, mas sim acionar as autoridades. Em 2026, a tecnologia e a informação nos permitem ser sentinelas uns dos outros:
- Não ignore os sinais: Gritos, sons de objetos quebrados ou o sumiço repentino de uma vizinha são sinais de alerta claros.
- O papel das instituições: Precisamos cobrar que as delegacias e centros de apoio de nossa cidade sejam locais de acolhimento real, e não de novos julgamentos.
- Em Limeira temos a Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), lembrando que a rede de proteção não precisa ser apenas policial. Às vezes, uma pergunta simples à vítima como: “Eu notei que você está diferente, quer conversar?” ou “Eu estou aqui se você precisar de um lugar seguro”, é o que abre a porta para ela sair do isolamento.
- Acione o Ligue 180: O anonimato é garantido e a denúncia pode salvar uma vida antes que ela vire estatística.
- Além do que hoje existem aplicativos e mecanismos de denúncia silenciosa via chat ou inteligência artificial
A “Mulher Real” merece mais do que sobrevivência; ela merece paz. E a paz só é possível quando todos decidem que a violência doméstica é mais do que uma ofensa pessoal, é uma ofensa a toda a comunidade.
A vida de uma mulher tem valor. Meta a colher, salve uma vida.
Profa. Dra. Simone Portela
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