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Limeira

Coluna: Mulher Real em Foco Sobreviventes: O Difícil Amanhã de quem Venceu a Morte.

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Dra. Simone Portela

O feminicídio muitas vezes é tratado como uma estatística de óbitos, mas pouco se fala das mulheres que sobreviveram ao ataque e carregam as marcas — no corpo e na alma — da tentativa de serem apagadas.
Como superar a violência quando você esteve frente a frente com o fim?
Sobreviver a uma tentativa de feminicídio é carregar o peso de um sistema que muitas vezes falha em proteger e de uma sociedade que, por vezes, questiona a vítima. A superação não é um caminho reto; é o processo de reconstrução de um espelho que foi estraçalhado.

O Silêncio que Mata e a Escuta que Salva

Neste cenário, o posicionamento masculino deve ser de extrema
responsabilidade. Homens, entendam: quando uma mulher sobrevive a um ataque, ela não precisa de julgamentos ou de explicações sobre o que o agressor sentia. Ela precisa de uma rede que condene o agressor sem ressalvas. O papel do homem aqui é garantir que o ambiente social ao redor dessa mulher seja de segurança absoluta. É
ouvir sem interromper e, principalmente, educar outros homens para que entendam que a violência é uma escolha do agressor, e nunca uma consequência do comportamento da vítima.

A Reconstrução da Mulher: Do Trauma ao Protagonismo
Para a mulher que sobreviveu, a superação passa por três pilares inegociáveis: Acolhimento Terapêutico Especializado: O trauma de uma tentativa de morte gera feridas invisíveis (como o transtorno do estresse pós-traumático). Buscar ajuda profissional, por meio do suporte oferecido pelas redes de apoio, não é sinal de fraqueza; é o recurso necessário para reorganizar a vida que o agressor tentou destruir.
Segurança Jurídica e Rede de Proteção: A superação só acontece quando o medo diminui. É vital que as medidas protetivas da Lei Maria da Penha sejam cumpridas com rigor. A mulher precisa ter a certeza de que o Estado é mais forte que o seu agressor.
A Retomada da Identidade: O agressor tenta anular a identidade da mulher.
Superar é voltar a ser dona de suas próprias escolhas — é o curso que foi interrompido, o trabalho que foi proibido, o sorriso que foi abafado. Cada pequena conquista diária é uma vitória contra a tentativa de feminicídio.

Uma Luta de Toda a Sociedade

Nossa cidade precisa ser o solo onde essas mulheres voltem a florescer. Não
podemos permitir que sobreviver seja apenas continuar respirando; deve significar viver com dignidade.
Superar a violência extrema exige coragem da vítima, mas exige, acima de tudo, uma postura implacável de todos nós contra o agressor. A mulher que sobreviveu é o maior símbolo de resistência da nossa sociedade. Ela não é apenas uma sobrevivente; é a prova viva de que a vida deve prevalecer sobre o ódio.

Onde buscar ajuda em Limeira:

Ligue 180: Central de Atendimento à Mulher (orientação gratuita e

anônima).

Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Limeira: Rua Sete de Setembro, 866 – Centro Tel: (19) 3451-2589.

Defensoria Pública de Limeira: Para garantia de direitos, medidas de

proteção, guarda e questões patrimoniais.
190 (Polícia Militar)

Guarda Civil Municipal de Limeira (153), que atua em patrulhamentos de proteção à mulher.

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