Por Fernando Garayo

O pré candidato a presidência Flávio Bolsonaro (PL), procurou vender a imagem de que era diferente do pai. Mais moderado, mais equilibrado e menos propenso aos confrontos institucionais. Bastou, porém, chegar ao tema das urnas eletrônicas para a máscara cair.
Ao reunir-se com embaixadores e apresentar informações falsas e já desmentidas pela Justiça Eleitoral, Flávio repetiu quase o mesmo roteiro seguido por seu pai Jair Bolsonaro em 2022. Não foi apenas uma coincidência. Foi a continuidade de uma estratégia política baseada em desacreditar o processo eleitoral brasileiro quando ele contraria os interesses do bolsonarismo.
Jair Bolsonaro perdeu os direitos políticos justamente por utilizar a estrutura do Estado para atacar, sem provas, a credibilidade das eleições diante de representantes de outros países. O Tribunal Superior Eleitoral entendeu que aquela conduta representou abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação. A história registrou esse episódio como um dos momentos mais graves de desgaste da democracia brasileira.
Agora, Flávio Bolsonaro parece seguir exatamente o mesmo caminho. Em vez de apresentar propostas para o país, prefere exportar dúvidas sobre um sistema eleitoral que nunca teve fraude comprovada capaz de alterar o resultado de uma eleição. Não há novidade. Apenas a repetição de uma narrativa construída para alimentar a desconfiança e manter mobilizada uma parcela do eleitorado.
Quem dizia que Flávio era diferente do pai precisa rever esse julgamento. Quando o assunto é respeitar as instituições democráticas, a semelhança entre os dois é evidente. O filho reproduz o discurso, o método e a estratégia do pai: lançar suspeitas sem provas, desacreditar a Justiça Eleitoral e internacionalizar acusações já desmentidas.
A democracia vive da confiança nas regras do jogo. Criticar decisões do Judiciário ou defender mudanças no sistema eleitoral é legítimo. O que não é legítimo é transformar boatos em instrumento político e apresentá-los como se fossem fatos.
A tentativa de separar Flávio Bolsonaro de Jair Bolsonaro perde força diante das próprias atitudes do senador. As palavras mudam pouco, os personagens são diferentes, mas o roteiro continua o mesmo. E, quando o roteiro é atacar a credibilidade das eleições sem provas, não há como sustentar que pai e filho representam projetos distintos para a democracia brasileira.
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