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Limeira

Milei exige respeito à Argentina, mas esquece do respeito ao Brasil.

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Por Fernando Garayo

Fernando Garyo-Jornalista- Cientistas Politico.

Javier Milei decidiu endurecer a política migratória argentina. O decreto anunciado por seu governo prevê impedir a entrada ou expulsar estrangeiros que promovam hostilidade contra a República Argentina, seus cidadãos e seus símbolos nacionais. A justificativa é a defesa da soberania e do respeito ao povo argentino.

O princípio, em si, é legítimo. Todo país tem o direito de proteger seus cidadãos e exigir respeito às suas instituições. O problema começa quando quem cobra respeito não demonstra a mesma postura em relação aos demais países.

Recentemente, Milei esteve no Brasil para participar de um evento político do PL. Em vez de atuar como chefe de Estado preocupado em preservar as relações diplomáticas entre duas nações vizinhas, utilizou sua presença para fazer críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes. O episódio provocou forte desgaste nas relações entre Brasil e Argentina.

Surge então uma pergunta inevitável: se um estrangeiro pode ser barrado ou expulso da Argentina por atacar argentinos e as instituições do país, qual deveria ser o tratamento dado a um presidente estrangeiro que atravessa a fronteira para atacar autoridades brasileiras?

A diplomacia internacional não foi construída sobre afinidades ideológicas, mas sobre respeito institucional. Presidentes podem discordar. Governos podem ter posições opostas. O que não contribui para a convivência entre nações é transformar visitas internacionais em palanques eleitorais e utilizar a condição de chefe de Estado para interferir no debate político interno de outro país.

A coerência é o primeiro requisito de qualquer líder. Quem exige respeito à própria bandeira precisa respeitar a bandeira alheia. Quem defende sua soberania deve reconhecer a soberania dos demais. Caso contrário, o discurso deixa de ser um compromisso com princípios e passa a ser apenas um instrumento de conveniência política.

Brasil e Argentina possuem uma das relações econômicas e estratégicas mais importantes da América do Sul. São parceiros no Mercosul, compartilham interesses comerciais e mantêm décadas de cooperação. Essa relação não pode ficar refém de provocações políticas ou de disputas ideológicas.

O decreto de Milei revela uma verdade simples: respeito entre nações é indispensável. Mas esse respeito não pode valer apenas quando a Argentina é alvo de críticas. Ele precisa ser recíproco.

Quem não aceita que ofendam seu país também não deveria ofender o país dos outros. Essa é a essência da boa diplomacia e da verdadeira defesa da soberania nacional.

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