25.1 C
Limeira

Os erros das campanhas na reta final das eleições e o futuro presidente do Brasil

- PUBLICIDADE -spot_img

Precisa ler isso...

Banner Publicitário

Por Israel Aparecido Gonçalves

Prof Israel Aparecido Gonçalves

No debate da Globo, na sexta-feira (23/10), Flávio Bolsonaro e Lula se enfrentaram de
maneira mais produtiva do que na Band. O encontro mostrou como foi ineficiente o
formato adotado pela Band, que provavelmente não será repetido em nenhum outro
debate. Lá faltou o essencial: a discussão das questões nacionais. A Globo conseguiu
fazer isso. Seu formato permitiu ao eleitor avaliar melhor quem tem o melhor projeto
e qual candidato apresenta a proposta mais adequada para o país.
A pergunta é quem venceu o debate? A resposta pode ser dividida em duas partes. Na
forma, a vantagem foi de Flávio Bolsonaro. Ele falou com mais clareza e boa dicção,
enquanto Lula teve dificuldades. Em um dos momentos, ao dizer que vai acabar com a
milícia, Lula foi entendido por alguns como se tivesse dito que acabaria com a
“polícia”. Isso é muito ruim, e a voz do presidente não o ajudou em vários momentos.
Flávio também conseguiu transmitir um ar de futuro, mesmo deixando de responder a
várias perguntas e omitindo informações. Lula, por sua vez, ficou muito preso ao
passado, mostrando o que já fez.
Mostrar realizações, no caso de Lula, é importante, mas dificilmente um debate será
suficiente para apresentar tudo o que foi feito. A rejeição de Lula já era alta antes da
campanha, o que indica uma de duas coisas: ou as ações do governo não chegaram à
população, ou, quando chegaram, as obras não eram o que a sociedade esperava
naquela localidade. Por isso, no campo racional, eu diria que o resultado ficou mais
próximo de Flávio Bolsonaro.
No campo emocional, porém, a vitória foi de Lula. Quando Flávio o chamou de “nove
dedos”, Lula conseguiu reverter muito bem o ataque. Flávio também se atrapalhou ao
tratar da morte da menina Ana Clara, de 5 anos, pois trocou o nome da mãe pela
menina assassinada. Neste caso o principal suspeito é um policial que ainda será
julgado. Flávio Bolsonaro entrou de forma gratuita na defesa do agente, mostrando
que defende os policiais mesmo nessa situação.
Na estratégia geral, Flávio Bolsonaro continua forte nas redes sociais, mas está atrás
de Lula em engajamento. A campanha de Flávio, por sua vez, consegue produzir cortes
– para as redes sociais – que seguem alimentando a própria militância. O problema dos
petistas é reconversão de votos do bolsonarismo para Lula é quase nula, pois os
bolsonaristas estão decididos na sua escolha. Manter a base mobilizada, na esfera da
esquerda, é importante, mas não basta para vencer.
Na minha avaliação, o maior erro da campanha de Lula – na reta final da campanha –
foi a live de 24 horas. Ela desmobilizou um pouco o “exército” de mais de 10 milhões
de Lula no WhatsApp. Com o passar das horas, Janones se cansa, e a transmissão vira
um programa de entrevistas com quem já está convertido, sem trazer novidades.
Mesmo a presença de Joice Hasselmann não deve virar votos para Lula. Pelo contrário:
ela é rejeitada pelos dois lados. Seu voto individual conta como um voto, mas não
acredito que muita gente vá mudar de lado por ouvi-la. Ao longo de tantas horas, a live

ficou cansativa. Seria muito mais interessante se tivesse uma ou duas horas e fosse
feita agora, num sábado à tarde, para fazer um balanço e dar orientações à militância.
Já o grande erro de Flávio Bolsonaro foi não se preparar para um segundo turno
combativo. Logo na primeira semana, pós o primeiro turno, ele e a sua equipe
passaram a falar como se já tivessem vencido. Ao sinalizar mudanças na jornada de
trabalho, no trabalho por hora, nos direitos trabalhistas e até na Constituição,
transmitiu um ar de arrogância e deixou claro que pretende fazer mudanças drásticas.
Isso assustou parte do eleitorado de direita que poderia oscilar entre os dois
candidatos e que, provavelmente, acabou migrando para Lula.
Ao longo da campanha, Lula não conseguiu abrir vantagem sobre Flávio Bolsonaro nas
pesquisas, mas também não ficou para trás. Conseguiu manter algo difícil em uma
disputa tão polarizada: a proximidade com o adversário. O resultado, mais do que
nunca, será decidido nos detalhes e nos erros de cada campanha e naquela militância
que conseguir mobilizar mais pessoas – que eram indecisas – para votar.
Israel Aparecido Gonçalves é Doutor em Sociologia e Ciência Política pela Universidade
Federa de Santa Catarina (UFSC) e Mestre em Ciência Política pela Universidade
Federal de São Carlos (UFSCar).

Banner Publicitário

Descubra mais sobre NJ Notícias

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

Mais notícias...

Deixe uma resposta

- PUBLICIDADE -spot_img

Ultimas Notícias