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Promessa não é trabalho feito

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Por Israel Aparecido Gonçalves

Prof Israel Aparecido Gonçalves

Em 1989, Fernando Collor se elegeu com o discurso de “caçador de marajás” e um tom nacionalista. Em 16 de março de 1990, um dia depois da posse, anunciou o Plano Collor (Plano Brasil Novo) e bloqueou o dinheiro dos brasileiros acima de 50 mil cruzados novos, o equivalente a cerca de R$ 8 mil hoje, inclusive na poupança.

A resposta veio das ruas. Em agosto de 1992, milhares de estudantes, os caras-pintadas, pintaram o rosto de verde e amarelo e ocuparam as ruas das capitais pedindo “Fora Collor”. A pressão popular empurrou o Congresso: em setembro, a Câmara autorizou o impeachment, e em dezembro de 1992 Collor renunciou, horas antes de ser condenado pelo Senado.

Em 2018, Jair Bolsonaro se elegeu prometendo acabar com a corrupção e “fazer um novo Brasil”. Mas o povo também foi às ruas contra ele. Em 15 de maio de 2019, estudantes e professores fizeram o “Tsunami da Educação” em todo o país, contra o corte de 30% nas verbas da educação. Em 1º de maio de 2020, em plena pandemia, enfermeiros e técnicos de saúde fizeram um ato silencioso na Praça dos Três Poderes, com cruzes nas mãos, em homenagem aos colegas mortos pela covid. Foram xingados e agredidos por apoiadores do presidente. O país chegou perto de 700 mil mortes por covid, marca atingida em março de 2023. Para o trabalhador, não houve melhora nas condições de trabalho.

Agora é a vez de Flávio Bolsonaro prometer um país melhor. Mas olhe o que ele fez: em sete anos como senador e ao todo 24 anos no parlamento, nenhum projeto de lei de autoria dele virou lei. Quando o país discutiu o fim da escala 6×1, ele chamou o debate de “inoportuno e eleitoreiro”. Só declarou voto a favor na véspera da votação, em plena campanha para não perder votos.

E quem pensa a economia de Flávio Bolsonaro, pensa igual. A coordenadora do plano econômico dele, Daniella Marques, ex-presidente da Caixa no governo Bolsonaro, chamou o debate sobre o fim da 6×1 de “populista e inócuo”. Ela defende que patrão e empregado “negociem livremente”, sem o Estado no meio, como se o trabalhador que pega dois ônibus por dia tivesse a mesma força de negociação que a empresa. Ela ainda disse que as mulheres que ganhariam um dia de descanso “vão perder o emprego por isso”, fato mentiroso. As mulheres terão mais qualidade vida.

Novamente os estudantes têm a história na mão. Como expressa a música de Geraldo Vandré: “Nas escolas, nas ruas/Campos, Construções/Caminhando e cantando/E seguindo a canção” e virando votos. Retomando uma frase de um liberal, Winston Churchill: Nunca, no campo dos conflitos humanos, tantos deveram tanto a tão poucos”. Viva aos estudantes.

A história mostra que quem muda o Brasil é o povo na rua e na urna. Quem passou a vida sem trabalhar pelo trabalhador não vai começar agora. Nele!

Não dá para acreditar.

Israel Aparecido Gonçalves é Doutor em Sociologia e Ciência Política pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e Mestre em Ciência Política pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Instagram @souprof.israel

(Imagem na home: perfil da UNE no Instagram)

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