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Adalberto Mansur
A Inteligência Artificial está mais perto do que imaginamos, para o bem ou para o mal. Uma série de situações envolvendo questões do mundo digital estão na pauta de Limeira.
De um lado, o município sediará um curso de graduação em Inteligência Artificial e Ciência de Dados, que será oferecido pelas faculdades de Ciências Aplicadas (FCA) e de Tecnologia (FT), no campus da Unicamp, no município. Esta é a primeira graduação nesses moldes em uma universidade pública do estado. Serão 40 vagas disponíveis já no próximo vestibular.
Um dos pontos altos do lançamento oficial do curso, no dia 3 de agosto, foi uma roda de discussões sobre o papel da IA na formação profissional. Nas discussões, o professor da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) Rodolfo Pacagnella, citou que o avanço das tecnologias exige profissionais capazes de utilizar e desenvolver ferramentas com responsabilidade ética e baseadas em dados representativos da população brasileira.
“A formação proposta pelo novo curso da Unicamp incorpora aspectos técnicos, sociais e éticos fundamentais para que a inteligência artificial contribua para reduzir desigualdades, especialmente no acesso aos serviços de saúde”, apontou Pacagnella.
A IA da prefeitura que acelera processos
Limeira vivencia essa questão na área pública. Uma das principais ações do governo Murilo Félix foi a implementação da Limeira Inteligência Artificial (LIA). A ferramenta quer facilitar a vida dos cidadãos, por meio de um canal no WhatsApp que informa sobre diversas iniciativas da prefeitura – veja aqui.
O uso de ferramentas digitais tem dado resultados positivos. Profissional da área da Educação privada, Rinaldo (que preferiu não citar o sobrenome) ficou impressionado com o atendimento na rede de saúde municipal. Buscando uma consulta com otorrinolaringologista, viu o atendimento e os exames requisitados serem fornecidos com velocidade pela prefeitura, após contatos via WhatsApp.
Ao mesmo tempo, surgem os desafios. Profissionais avaliaram ao NJ que será importante a prefeitura ficar atenta aos dados gerados pelas plataformas para que possa criar ou aprimorar políticas públicas.
O debate ainda envolve questões básicas. Uma delas é como a população se vê diante das práticas digitais. Em Ribeirão Preto (SP), uma ação de estudantes ajudou principalmente os idosos a se cadastrarem nos programas digitais do governo federal. As ações muitas vezes esbarram na falta de maturidade digital dos envolvidos, gerando inclusive o risco de golpes.
Incidentes em testes e regulamentação
O curso na FCA buscará soluções que beneficiem a sociedade, com três trilhas de formação — Saúde e Esporte, Cidades Inteligentes Sustentáveis e Governo Digital e Políticas Públicas. “São trilhas estruturadas para incentivar o desenvolvimento de tecnologias voltadas a desafios sociais”, afirmou Cristiano Torezan, diretor-associado da FCA.
A demanda nacional por profissionais da área é grande. Docente da FT, Ulisses Martins Dias conta que a formação matemática e computacional prevista no curso permitirá aos futuros profissionais compreender desde a coleta de dados até a tomada de decisões baseada em inteligência artificial.
O debate ganha força também em função de incidentes envolvendo a segurança dos modelos. Os relatos apontam que sistemas da Anthropic e da OpenAI em fase de testes conseguiram escapar do ambiente controlado e acessar plataformas e empresas sem que as próprias organizações responsáveis percebessem o ocorrido.
O professor Glauco Arbix, da USP, defende urgência na regulamentação do tema. “E que acompanhe não apenas os produtos finais, mas também os processos de desenvolvimento e testes”, declara. Obrigatoriedade de comunicar incidentes, a fiscalização pública das avaliações e a responsabilização por eventuais danos são ações sugeridas por especialistas.
(Este conteúdo reúne informações da Secretaria de Comunicação da Unicamp, do site da USP e apuração do NJ Notícias)
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