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PT com sua omissão dando munição a extrema direita

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Fernando Garayo-Jornalista- Cientista Politico.

O silêncio do Partido dos Trabalhadores diante da CPMI do Banco Master não é apenas um erro político. É um presente embrulhado para a extrema-direita. Em um país devastado pela desconfiança nas instituições, onde a população já olha para Brasília com ceticismo crônico, qualquer recusa em investigar um escândalo financeiro de grandes proporções vira combustível imediato para narrativas conspiratórias, vídeos de TikTok inflamados e discursos moralistas de ocasião.

E o pior: o próprio PT parece não perceber isso.

A pergunta que começa a ecoar nas redes, nos bastidores do Congresso e até entre setores progressistas é simples e devastadora: por que o PT não quer assinar a CPMI do Banco Master? O que exatamente incomoda tanto? Qual o medo de investigar?

Quando um partido que construiu sua identidade histórica em cima da fiscalização, da denúncia contra banqueiros, da crítica ao sistema financeiro e da defesa da transparência resolve hesitar diante de um escândalo bancário, ele abandona seu próprio discurso e entrega para os adversários o monopólio da indignação.

A extrema-direita adora esse cenário. Ela sobrevive dele.

Porque, independentemente de haver ou não envolvimento direto de parlamentares petistas no caso, a recusa em apoiar uma investigação cria uma aparência política terrível. Em política, aparência muitas vezes pesa mais do que a própria verdade. E nesse momento, o PT parece incapaz de entender a dimensão simbólica da própria omissão.

Até agora, não existem provas públicas conclusivas que apontem participação institucional do PT no escândalo do Banco Master. Mas o problema político não é apenas jurídico. O problema é narrativo. Quando um partido evita investigar, a população imediatamente pergunta: “quem está protegendo?”.

E convenhamos: depois de anos enfrentando ataques da Lava Jato, prisões espetacularizadas, manipulações midiáticas e campanhas permanentes de criminalização da esquerda, era justamente o PT que deveria compreender a importância de abrir tudo, investigar tudo, mostrar tudo. Transparência radical deveria ser obrigação moral da esquerda, não uma concessão.

Mas não. Parte da cúpula petista parece acreditar naquela velha lógica suicida de Brasília: “melhor não mexer nisso”. É exatamente esse comportamento que destruiu a credibilidade de inúmeros partidos ao longo da Nova República.

A política brasileira já está intoxicada pela percepção de conchavo entre bancos, Congresso e poder econômico. Quando o PT hesita em assinar uma CPMI envolvendo um banco cercado de suspeitas, ele deixa de parecer cauteloso e começa a parecer cúmplice — ainda que não seja.

E há outro problema grave: a incoerência.

Como o PT poderá criticar futuramente qualquer tentativa de blindagem feita pela direita se agora adota uma postura ambígua diante de um escândalo financeiro? Como poderá exigir investigações contra aliados do bolsonarismo enquanto evita desgaste em um caso sensível?

Não existe combate seletivo à corrupção sem custo político.

A esquerda brasileira passou anos denunciando o moralismo farsesco da extrema-direita. E estava certa. Mas denunciar a hipocrisia dos outros não autoriza ninguém a praticar conveniências semelhantes. Se o PT quiser voltar a ocupar um lugar de autoridade ética diante da sociedade, precisa parar de agir como máquina institucional preocupada apenas com cálculo eleitoral.

Porque o eleitor comum não acompanha nota técnica, articulação de bastidor ou estratégia parlamentar. O que ele vê é simples: “tem escândalo, e o partido não quer investigar”.

E isso, no imaginário popular, vira sentença.

Ao fugir da CPMI, o PT não enfraquece a direita. Faz exatamente o contrário: alimenta o discurso antipolítica, fortalece influenciadores extremistas e entrega munição para que o bolsonarismo tente novamente posar como “combatente da corrupção”, mesmo carregando sua própria coleção de escândalos.

É um erro político grave. Talvez um dos mais graves deste início de ciclo eleitoral.

Porque, no fim, quem se recusa a investigar acaba sendo investigado pela opinião pública.

 

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