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Fim da escala 6×1: a hora de vigiar quem te representa

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Fernando Garayo- Jornalista- Ambientalista– Pós Graduado em Ciências Politícas

O anúncio de que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretende encaminhar com urgência o projeto que põe fim à escala 6×1 — substituindo-a por uma jornada de 40 horas semanais no modelo 5×2, sem redução salarial — recoloca no centro do debate uma questão essencial: o tempo de vida do trabalhador brasileiro.

Não se trata apenas de economia. Trata-se de dignidade.

Segundo dados recentes, 71% dos brasileiros apoiam a redução da jornada e o fim da escala 6×1. São um número expressivo, que revela uma sociedade cansada de rotinas exaustivas, deslocamentos longos e pouco tempo para viver — para cuidar da família, estudar, descansar ou simplesmente existir para além do trabalho. Ainda assim, entre o desejo da população e a aprovação de uma lei, existe um filtro decisivo: o Congresso Nacional.

E é justamente aí que entra o papel do eleitor.

O jornalista Leonardo Sakamoto, ao comentar a proposta, aponta que o debate não pode ser capturado apenas por interesses econômicos de curto prazo. Há décadas, o Brasil convive com jornadas que penalizam, sobretudo os mais pobres — aqueles que menos têm margem para negociar melhores condições. A mudança, portanto, não é apenas trabalhista; é social.

Mas projetos populares já morreram antes no plenário.

Deputados e senadores, muitas vezes pressionados por setores empresariais ou alinhados a determinadas agendas econômicas, podem desidratar, adiar ou simplesmente enterrar propostas que contrariam interesses organizados — mesmo quando há amplo apoio popular. É o velho descompasso entre quem vota e quem é votado.

Por isso, mais do que nunca, é preciso acompanhar cada passo dessa tramitação.

Quem são os parlamentares que defendem publicamente o fim da escala 6×1? Quem tenta flexibilizar o texto para manter jornadas exaustivas sob outros nomes? Quem se esconde, não declara voto ou atua nos bastidores? Essas respostas não podem ficar restritas aos corredores de Brasília — elas precisam chegar ao eleitor comum.

Fiscalizar o voto de deputados e senadores não é um ato de militância partidária. É um exercício básico de cidadania.

A tecnologia hoje permite isso com facilidade: redes sociais, transmissões ao vivo das sessões, portais de transparência. Nunca foi tão possível saber quem vota a favor ou contra direitos que impactam diretamente a vida da população. O que falta, muitas vezes, é transformar essa informação em cobrança.

E cobrança efetiva.

O parlamentar que ignora a vontade de 71% da população precisa saber que sua decisão terá consequência eleitoral. Do contrário, a democracia vira um ritual vazio: vota-se de quatro em quatro anos, mas governa-se distante da realidade da maioria.

O debate sobre a jornada de trabalho também expõe uma encruzilhada maior: que país o Brasil quer ser? Um país que avança na qualidade de vida ou que mantém estruturas ultrapassadas em nome de uma produtividade que não se traduz em bem-estar?

Reduzir a jornada sem reduzir salários não é utopia. É uma tendência global, já testada em diversos contextos, com ganhos inclusive de produtividade e saúde mental. Resistir a isso é, em muitos casos, resistir ao inevitável.

Mas nada disso se concretiza sem pressão popular.

O fim da escala 6×1 pode até ter sido “batido o martelo” no Executivo. No Legislativo, porém, o jogo está apenas começando. E, nele, o eleitor não pode ser espectador.

Precisa ser fiscal.

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